COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

Gigantes do Sul Global: cinco setores que impulsionarão a parceria Brasil-Índia em 2026

Defesa, segurança alimentar, inteligência artificial, transição energética e minerais críticos são prioridades na visita de Lula à Índia.

Publicado em 18/02/2026 às 16:00
Lula desembarca na Índia para ampliar acordos bilaterais em setores estratégicos entre Brasil e Índia. © flickr.com / Palácio do Planalto / Ricardo Stuckert

Lula desembarcou na Índia nesta quarta-feira com grandes expectativas para a assinatura de novos acordos bilaterais. Parceiros no BRICS, Brasil e Índia compartilham projetos estratégicos e ambições comuns em áreas-chave para a geopolítica global.

As exportações brasileiras para a Índia atingiram em 2025 o maior valor já registrado, somando US$ 6,9 bilhões — um crescimento de 30% em relação a 2024 e o melhor desempenho dos últimos 20 anos.

Com a inauguração do escritório da ApexBrasil em Nova Deli, a relação bilateral entra em uma nova fase, marcada por resultados concretos, como demonstra a agenda presidencial iniciada com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao país.

Cinco setores ganham destaque na pauta do governo brasileiro para fortalecer a parceria em 2026. Confira os principais pontos.

Defesa

Ampliar a cooperação em defesa, com foco na transferência de tecnologia militar, é um dos principais objetivos do governo brasileiro durante a visita. Além de reforçar a soberania nacional, os equipamentos desenvolvidos em parceria podem ser utilizados no combate ao crime organizado.

A Índia, por sua vez, é um dos maiores mercados para o setor e oferece grande potencial para as exportações brasileiras. Um exemplo é o acordo anunciado entre a Embraer e o grupo Adani para a produção de aeronaves no país asiático.

Segurança alimentar

Brasil e Índia têm a segurança alimentar como prioridade em suas agendas doméstica e internacional. No âmbito do IBAS — grupo que também inclui a África do Sul —, a temática é central, com ações coordenadas para combater a fome globalmente. Os dois países buscam avanços em intercâmbio tecnológico e soluções sustentáveis para a produção de alimentos.

Com uma população de 1,4 bilhão de habitantes, a Índia representa um mercado estratégico para o Brasil, um dos maiores produtores mundiais de alimentos. O aprofundamento da integração, especialmente em controles fitossanitários e cadeias produtivas, é visto como benéfico para ambos.

Inteligência Artificial (IA)

Outro eixo central da visita é a inteligência artificial. Lula participa da Cúpula Impacto da Inteligência Artificial (IA), conferência dedicada à pesquisa, governança e infraestrutura para IA.

Esta será a quarta edição do evento e a primeira realizada em um país do Sul Global. Brasil e Índia defendem o uso responsável da tecnologia, priorizando inclusão digital e redução das desigualdades. Para ambos, além do lucro empresarial, a IA deve cumprir uma função social relevante.

Transição energética

A transição energética é estratégica para os dois países, que possuem metas ambiciosas de redução de emissões e grande potencial em fontes limpas e renováveis, como eólica, solar e biocombustíveis.

Durante o G20 de 2023, em Nova Deli, Brasil, Índia e EUA lançaram a Aliança Global para Biocombustíveis, com o objetivo de acelerar a produção sustentável e ampliar o uso desses combustíveis, visando triplicar a produção até 2050 para alcançar emissões líquidas zero.

Minerais críticos e terras raras

Brasil e Índia possuem, respectivamente, a segunda e a quinta maior reserva de terras raras do mundo, o que os posiciona como protagonistas na corrida global por minerais críticos.

Por isso, o tema é um dos mais relevantes da visita de Lula à Índia, com expectativa de acordos bilaterais. A principal aposta é a assinatura de um memorando de entendimento para pesquisa, extração, processamento e refino desses minerais.

Por Sputinik Brasil