ECONOMIA INTERNACIONAL

Fitch condiciona elevação do rating do Brasil a plano fiscal crível de médio prazo

Agência destaca que avanço fiscal consistente é essencial para melhorar a nota de crédito do País, hoje em 'BB' com perspectiva estável.

Publicado em 18/02/2026 às 17:36
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Fitch Ratings reafirmou que uma possível elevação da nota de crédito do Brasil está condicionada à apresentação de um plano fiscal crível no médio prazo. Atualmente, o País possui rating 'BB', com perspectiva estável, o que o coloca a dois degraus do grau de investimento. "Uma elevação da classificação do Brasil para 'BB+' dependeria de um plano de consolidação fiscal que seja substancial, credível e suficiente para fortalecer nossa confiança na estabilização da dívida a médio prazo", afirma a Fitch em relatório em formato de perguntas e respostas (Q&A), distribuído a clientes nesta quarta-feira. A agência alerta: "A principal vulnerabilidade do Brasil é sua posição fiscal fraca".

Segundo a Fitch, não é necessário apresentar um ajuste fiscal completo como pré-requisito para a elevação do rating. O que se espera é um progresso inicial significativo e confiança em melhorias adicionais nas contas públicas brasileiras.

Para a agência, uma consolidação fiscal mais rápida e abrangente exigirá esforços maiores após as eleições de 2026, independentemente do governo eleito, seja de esquerda ou de direita. "Esperamos que qualquer governo entrante busque novos esforços de consolidação, mas o ritmo e a estratégia dependerão de quem vencer", avalia.

A Fitch reitera que um ajuste mais ambicioso pode ser mais provável sob um governo de direita, mas ressalta que o cenário não é binário e que desafios existirão em qualquer desfecho eleitoral.

No caso de uma nova administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a agência aponta possível resistência política a novos aumentos de impostos. Já uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro poderia encontrar obstáculos para implementar cortes profundos nos gastos públicos. "Mesmo o Congresso conservador atual pressionou por iniciativas que aumentam os gastos e diluiu algumas medidas de controle de despesas", destaca a Fitch.

A agência também observa que a manutenção de juros elevados por um período prolongado no Brasil, apesar da expectativa de início de queda das taxas a partir de março, continuará impactando a demanda doméstica. No entanto, a melhora no déficit primário deste ano e operações de empréstimo devem aliviar a desaceleração da demanda interna.

Por outro lado, o mercado de trabalho brasileiro segue "aquecido" e sustenta o consumo no País, segundo avaliação da Fitch Ratings.

América Latina

A Fitch ressalta que a maioria dos países da América Latina mantém perspectiva estável em suas classificações de crédito, indicando estabilidade ampla na região. Apenas cinco economias possuem grau de investimento, sendo o México o país com a menor classificação entre eles e perspectiva estável. A agência não prevê perdas desse status na América Latina para este ano. "Não esperamos novos 'anjos caídos' em 2026", afirma. A perspectiva positiva do Paraguai reflete o potencial do país para alcançar o grau de investimento sob certas condições.

"A consolidação fiscal permanece desigual na região, com países maiores sobrecarregados por déficits mais elevados e crescentes encargos de dívida", alerta a agência.