EUA dizem ter 'vários argumentos' para atacar o Irã, mas priorizam acordo diplomático
Casa Branca reforça possibilidade de ação militar, mas negociações nucleares seguem na Suíça com mediação do Omã.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta quarta-feira, 18, que o governo dos Estados Unidos possui "vários argumentos" para atacar o Irã, caso essa seja a decisão. Apesar disso, os EUA e o Irã mantêm uma rodada de negociações na Suíça, mediada por Omã, enquanto líderes de ambos os países trocam ameaças nas redes sociais.
Segundo Leavitt, o presidente americano, Donald Trump, segue priorizando uma solução diplomática para a questão nuclear iraniana, embora os avanços nas conversas sejam limitados. "Há muitos motivos e argumentos que poderiam ser apresentados a favor de um ataque", disse a porta-voz. "Esse é um tema que o presidente leva a sério. Ele está sempre pensando no que é do interesse dos Estados Unidos, das Forças Armadas e do povo americano", completou.
O foco das negociações é o programa nuclear do Irã, considerado uma ameaça pelos EUA, enquanto o governo iraniano insiste em fins pacíficos e geração de energia. Um acordo anterior, firmado durante a administração Obama, foi desfeito por Trump em seu primeiro mandato, que restabeleceu sanções contra o país asiático.
O Irã exige o fim das sanções, que têm causado impactos severos em sua economia. Por outro lado, os Estados Unidos demandam garantias de que o Irã não irá fabricar uma bomba atômica, e Trump também menciona a possibilidade de mudança de regime. O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, declarou que os americanos "não destruirão a República Islâmica".
Enquanto as negociações avançam, o Irã fechou parcialmente o estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Em resposta, os EUA enviaram um porta-aviões ao Oceano Índico e preparam o deslocamento de outro. Em janeiro, o Irã enfrentou uma onda de protestos, cuja repressão resultou em milhares de mortos.
Quase simultaneamente às declarações de Leavitt, Trump afirmou em uma rede social que pode usar bases militares para impedir um ataque do Irã, classificado por ele como um regime "altamente instável e perigoso".
Trump citou a base de Diego Garcia, no Oceano Índico, utilizada por forças americanas e britânicas. O território pertence ao Reino Unido, e Trump solicitou ao premiê britânico, Keir Starmer, que não firme acordo para arrendar a área às Ilhas Maurício por 100 anos.