MERCADO FINANCEIRO

Dólar fecha em alta e atinge R$ 5,24 em dia de liquidez reduzida

Moeda americana avança em meio ao retorno do Carnaval, influenciada por dados econômicos dos EUA e ata do Fed

Publicado em 18/02/2026 às 18:50
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O dólar encerrou a sessão de quarta-feira, 18, com leve alta, cotado a R$ 5,24, em um pregão marcado por liquidez reduzida após o Carnaval. Com a agenda doméstica esvaziada, o mercado de câmbio brasileiro acompanhou o desempenho da moeda americana no exterior, influenciado por indicadores fortes de atividade nos Estados Unidos e pelo tom mais rígido da ata do Federal Reserve.

No início da tarde, o real chegou a apresentar valorização pontual, com o dólar sendo negociado abaixo de R$ 5,20. Contudo, a moeda americana ganhou força no exterior e reverteu o movimento local. Operadores atribuíram a queda momentânea do dólar a um ajuste natural, com desmonte de posições defensivas montadas antes do feriado.

Durante o dia, o dólar à vista oscilou entre a mínima de R$ 5,1940 e a máxima de R$ 5,2496, encerrando com alta de 0,20%, a R$ 5,2406. No mês de fevereiro, a moeda acumula variação negativa de 0,13%, após recuo de 4,40% em janeiro — a maior queda mensal desde junho de 2025. No acumulado do ano, as perdas chegam a 4,53%.

Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, destacou que o dia foi atípico devido à baixa liquidez, tornando a formação do câmbio mais sensível a operações pontuais. "Houve um posicionamento mais defensivo na sexta-feira, que foi parcialmente desfeito na abertura desta quarta. Mas logo o mercado local se alinhou ao exterior", explicou, ressaltando que os dados positivos da economia americana impulsionaram o dólar.

Pela manhã, o Federal Reserve informou que a produção industrial dos EUA subiu 0,7% em janeiro, superando as expectativas dos analistas (0,4%). As construções de moradias iniciadas cresceram 6,2% em dezembro ante novembro. Por outro lado, as encomendas de bens duráveis caíram 1,4% em dezembro, contrariando a expectativa de alta de 1,6%.

Às 16h, a divulgação da ata do Fed acelerou os ganhos do dólar no exterior. O documento mostrou que os dirigentes do banco central americano não identificaram aumento dos riscos no mercado de trabalho e alertaram que cortes adicionais nos juros poderiam sinalizar menor compromisso com a meta de inflação.

No fim da tarde, o índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes — subia quase 0,60%, próximo à máxima do dia (97,732 pontos). A moeda americana também avançava ante a maioria das moedas emergentes e de países exportadores de commodities, inclusive os principais pares do real, mesmo diante da alta de mais de 4% nos preços do petróleo devido a tensões geopolíticas.

Davi Lelis, especialista e sócio da Valor Investimentos, afirmou que provavelmente houve saída de capital estrangeiro da Bolsa brasileira. "Tivemos muita entrada de recursos para a renda fixa, com investidores aproveitando os juros ainda elevados para aplicar em papéis prefixados. Mas também houve uma parte relevante entrando via Bolsa, que sofreu realização de lucros, principalmente nas ações da Vale", avaliou Lelis.