ANÁLISE INTERNACIONAL

EUA e Europa priorizam diplomacia performática em vez de buscar paz na Ucrânia, avalia especialista

Negociações em Genebra avançam pouco e demonstram falta de interesse real dos EUA e UE em discutir segurança coletiva, aponta pesquisador da UFRJ.

Publicado em 18/02/2026 às 20:35
Negociações entre Rússia, EUA e Ucrânia em Genebra avançam pouco e expõem impasse diplomático. © Sputnik / Kirill Zykov / Acessar o banco de imagens

Após dois dias de negociações trilaterais em Genebra, Suíça, Rússia, Estados Unidos e Ucrânia tiveram poucos avanços concretos para resolver o conflito, segundo análise de Éden Pereira, pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre África, Ásia e as Relações Sul-Sul da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Nieass/UFRJ), ouvido pela Sputnik Brasil.

Nesta quarta-feira (18), Vladimir Mendinsky, assessor do Kremlin e chefe da delegação russa, classificou as conversas como difíceis, porém produtivas, após duas horas de discussões.

Para Pereira, o cenário atual demonstra que os avanços desta rodada foram menores do que os registrados nas negociações anteriores, realizadas em Abu Dhabi.

"O que significa, na prática, que toda aquela imagem formada ao redor da cúpula de Anchorage, no Alasca, no que diz respeito a alcançar um acordo de paz [...] está ficando cada vez mais longe."

As negociações trilaterais representam mais um esforço para encerrar o conflito ucraniano. No entanto, conforme observa o pesquisador, Estados Unidos, Ucrânia e União Europeia — que se manifesta por meio de Kiev — parecem insistir em um acordo distante da realidade.

Segundo Pereira, Washington e Kiev buscam sobretudo um "cessar-fogo", ou seja, o fim dos confrontos abertos. Já Moscou defende que uma paz verdadeira exige uma discussão mais ampla sobre a segurança do continente europeu.

"Para se chegar à paz, é preciso rediscutir novamente a questão da segurança coletiva. Só que, qual é o grande porém? Na parte dos europeus e na parte dos estadunidenses, não existe desejo de se fazer isso."

Na avaliação de Pereira, os Estados Unidos demonstram desinteresse em aprofundar o tema, preferindo tratar das relações bilaterais diretamente com o Kremlin e delegar a questão da Ucrânia aos europeus e ucranianos.

Embora a estratégia faça sentido para a Casa Branca, sob a ótica da diplomacia internacional, os EUA acabam exercendo uma "falsa mediação".

"Na prática, o que nós estamos assistindo é uma demonstração de performance diplomática da parte dos EUA. Eles estão tentando, assim como em várias outras partes do mundo, negociar e trazer a paz para uma série de conflitos."

Do lado europeu, persiste a relutância em dialogar diretamente com Moscou. "Mas alguns já estão começando a pensar que é hora de ceder, principalmente a França", aponta o especialista.

Pereira também destaca que diplomatas russos reconhecem esse cenário, afirmando abertamente que os europeus se preparam para a guerra.

"Quem está se preparando para a guerra não está, evidentemente, querendo saber de negociações para pacificar e para desescalar."

Por Sputnik Brasil