CIÊNCIA E ÉTICA

Cerca de 10% das pesquisas publicadas sobre câncer nas últimas duas décadas indicam fraude, aponta estudo

Análise do British Medical Journal revela que mais de 265 mil artigos sobre câncer podem ter origem fraudulenta, expondo impacto das fábricas de artigos científicos.

Publicado em 18/02/2026 às 21:32
Estudo aponta que 10% das pesquisas sobre câncer publicadas desde 1999 podem ser fraudulentas. © Depositphotos.com / Sciencepics

Pelo menos 265 mil artigos e pesquisas sobre câncer publicados nas últimas duas décadas podem ter sido elaborados de forma fraudulenta, segundo estudo divulgado pelo periódico British Medical Journal (BMJ).

O levantamento indica que cerca de 10% das publicações científicas sobre câncer desde 1999 apresentam padrões textuais associados a "fábricas de artigos científicos" — organizações que produzem ciência falsificada em escala industrial visando lucro, com textos reciclados, redação inadequada ou dados e imagens fabricados.

O estudo foi conduzido pela Faculdade de Saúde Pública e Serviço Social e pelo Centro Australiano de Saúde e Inovação (AusHSI), em colaboração com uma equipe internacional. Ao todo, foram analisados 2,6 milhões de pesquisas sobre câncer publicadas entre 1999 e 2024.

Segundo os pesquisadores, ao menos 400 mil artigos podem ter origem nessas fábricas. Para chegar ao resultado, o grupo treinou um modelo de inteligência artificial capaz de identificar pesquisas com indícios de fraude científica.

Uma das razões para o foco no câncer é a ampla disseminação de publicações fraudulentas nessa área específica.

O treinamento da inteligência artificial utilizou 4.404 artigos: metade deles eram publicações invalidadas por erros, fraudes ou ligação com fábricas de artigos, enquanto a outra metade reunia artigos legítimos. Esses dados serviram de base para identificar características comuns a manuscritos fraudulentos.

Principais descobertas da análise em larga escala:


Por Sputnik Brasil