JUSTIÇA E TECNOLOGIA

Mark Zuckerberg vai a julgamento histórico sobre vício em redes

CEO da Meta depõe pela primeira vez em tribunal dos EUA, acusado de projetar plataformas para viciar jovens

Publicado em 19/02/2026 às 07:40
Mark Zuckerberg © AP Photo / Andrew Harnik

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, foi questionado nesta quarta-feira (18) sobre se sua empresa teria projetado intencionalmente plataformas para viciar usuários. Ele depôs em um tribunal de Los Angeles, em um julgamento considerado histórico sobre o vício de crianças e adolescentes em redes sociais. É a primeira vez que Zuckerberg responde na Justiça a esse tipo de acusação.

Meta, Snapchat, TikTok e YouTube são alvos de um processo movido por uma jovem de 20 anos, identificada como K.G.M., que afirma ter desenvolvido ansiedade, depressão e problemas de autoimagem após criar sua primeira conta em redes sociais aos 8 anos. Segundo a CNN americana, Zuckerberg não respondeu sobre qual seria sua mensagem para pais que alegam que seus filhos foram prejudicados pelas redes sociais.

Zuckerberg também foi questionado se crianças menores de 13 anos têm acesso ao Instagram — a plataforma exige essa idade mínima para cadastro. O CEO da Meta afirmou que menores de 13 anos "não têm permissão para usar o Instagram".

Precedente global

Se as empresas forem condenadas, o resultado pode abrir um precedente importante para a responsabilização de plataformas de tecnologia em todo o mundo. Nos Estados Unidos, milhares de indivíduos, distritos escolares e procuradores-gerais estaduais já ingressaram com ações judiciais semelhantes.

O principal argumento é que as redes sociais teriam sido criadas para serem viciantes, comparando-se a produtos como cigarros ou máquinas caça-níqueis. "Este caso é tão simples quanto ABC", afirmou Mark Lanier, um dos advogados do processo. "Eles não criaram apenas aplicativos, criaram armadilhas. Não queriam usuários, queriam viciados."

Os processos têm sido comparados a ações movidas contra grandes empresas de tabaco nos anos 1990, acusadas de ocultar informações sobre os malefícios dos cigarros.

As empresas, por sua vez, alegam que não há evidências científicas que comprovem dependência e defendem-se com base em uma lei americana de proteção à liberdade de expressão, que as isenta de responsabilidade pelo conteúdo publicado por usuários. Snapchat e TikTok já fecharam acordos para encerrar as acusações. O julgamento deve se estender por algumas semanas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.