Europa rejeita participação no Conselho da Paz criado por Trump
Principais aliados dos EUA, como Alemanha, França e Reino Unido, criticam falta de transparência e mandato político do novo órgão liderado por Trump.
Dezenas de líderes mundiais e delegações nacionais se reúnem nesta quinta-feira, 19, em Washington, para a primeira reunião do Conselho da Paz criado por Donald Trump. Mais do que as presenças, o evento é marcado pelas ausências: os principais aliados europeus dos EUA recusaram-se a participar do grupo e criticaram a falta de transparência no financiamento e no mandato político da nova organização.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, rejeitou o convite para a cúpula desta quinta-feira. Outros líderes de países tradicionalmente aliados dos EUA, como Reino Unido, Alemanha e França, também confirmaram que não estarão em Washington. Trump retirou o convite ao premiê Mark Carney, do Canadá, após um discurso crítico do canadense no Fórum Econômico Mundial, em Davos, no mês passado. O papa Leão XIV também recusou o convite.
Relevância
Com a ausência dos europeus, o Conselho da Paz de Trump contará principalmente com delegações do Oriente Médio, incluindo representantes de Israel, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Turquia, Jordânia e Catar. Também participam países com pouca ligação direta ao conflito em Gaza, como Argentina, Paraguai, Hungria e Casaquistão.
A Casa Branca informou que a reunião funcionará como um encontro de arrecadação de fundos. Trump anunciou em suas redes sociais que os países já prometeram mais de US$ 5 bilhões para a reconstrução da Faixa de Gaza, devastada pela guerra com Israel e em crise humanitária constante.
O presidente americano afirmou ainda que os membros do conselho “destinaram milhares de tropas à Força Internacional de Estabilização e à polícia local para manter a segurança e a paz para os habitantes de Gaza”.
Objetivos
O Conselho da Paz foi criado inicialmente com o objetivo de reconstruir Gaza, mas teve seu mandato ampliado por Trump para responder a outros conflitos globais. A possibilidade de assumir funções da ONU afastou vários países europeus, além do Brasil.
A primeira cúpula do Conselho da Paz é vista com ceticismo, especialmente em relação ao plano de paz e recuperação de 100 dias anunciado por Jared Kushner, genro de Trump, em Davos. A ajuda permanece escassa e o projeto ainda não avançou.
Críticos do Conselho afirmam que o grupo teria dificuldades para solucionar questões-chave do conflito entre Israel e palestinos, como quem governaria o território, quem garantiria a segurança e como atender às necessidades imediatas da população.
Há ainda poucos sinais de que a criação do grupo possa superar divergências nas negociações de paz, como o desarmamento do Hamas.
Com agências internacionais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.