Governo argentino anuncia repressão à greve geral contra reforma trabalhista
Administração Milei promete medidas rígidas durante paralisação nacional e orienta imprensa sobre cobertura
O governo do presidente Javier Milei anunciou que adotará medidas rigorosas durante a greve geral de 24 horas, convocada pelo maior sindicato argentino em protesto contra a reforma trabalhista apoiada pelo Executivo. Além de prometer reprimir a paralisação, o governo divulgou orientações específicas para a imprensa sobre a cobertura do movimento.
Em comunicado oficial, o Ministério da Segurança recomendou que jornalistas evitem se posicionar entre possíveis focos de confronto e as forças de segurança mobilizadas para a operação.
O documento ainda destaca que haverá resposta imediata em caso de episódios de violência e determina que a cobertura jornalística deve ocorrer em uma “zona exclusiva”, delimitada nas ruas laterais à praça em frente ao Parlamento.
A reforma trabalhista, motivo da greve, busca modernizar as relações de trabalho, reduzir o poder dos sindicatos e diminuir custos trabalhistas. Para garantir os 37 votos necessários à aprovação no Senado, o governo – que conta com 20 senadores próprios – aceitou modificar alguns artigos do texto a pedido da oposição.
A medida foi aprovada no Senado, ao contrário de outras propostas do governo que fracassaram na Câmara após expectativas frustradas de apoio de outros blocos. Agora, o texto segue para a Câmara dos Deputados, onde será debatido em março e poderá sofrer novas emendas ou ter partes revogadas.
Os principais sindicatos do setor de transporte de passageiros aderiram à paralisação iniciada nesta quinta-feira: segundo a companhia aérea Aerolíneas Argentinas, 255 voos foram cancelados, afetando cerca de 31 mil passageiros. Trabalhadores portuários também participam do protesto.
A mobilização ocorre em meio a um cenário de queda na atividade industrial. De acordo com fontes sindicais, mais de 21 mil empresas fecharam as portas nos últimos dois anos, resultando no encerramento de cerca de 300 mil postos de trabalho.