DEMISSÃO

Sete erros que podem levar à "demissão" do estagiário

Especialista da Companhia de Estágios sinaliza pontos de atenção para ter uma experiência positiva no estágio e aumentar as chances de efetivação.

Por Jimena Carro Publicado em 19/02/2026 às 09:59
Sete erros que podem levar à "demissão" do estagiário

O estágio está consolidado como uma das principais portas de entrada para o mercado de trabalho. Conforme Jéssica Gondim, gerente de contratos da Companhia de Estágios, líder no Brasil em recrutamento, seleção e gestão de estagiários, trainees e jovens aprendizes, o cargo hoje insere o profissional em início de carreira em atividades que auxiliam os negócios, estratégias e demais funções essenciais para as empresas. 

“O estagiário vivencia um período de treinamentos, aprendizagem e importantes trocas iniciais, que devem ser bem aproveitadas para aprender sobre a cultura  da empresa e a dinâmica de trabalho”, explica Jéssica Gondim, gerente de contratos da Companhia de Estágios. 

Para 68% dos entrevistados da pesquisa Perfil do Estagiário Brasileiro, da Companhia de Estágios, o aprendizado e a experiência configuram como principais motivos que levam estudantes do ensino superior a buscar um estágio. Outros motivos importantes citados: conhecer mais sobre a área de atuação (53%), ingressar no mercado de trabalho (47%) e ajudar na renda familiar ou custear os estudos (35%). 

Neste contexto de novidades e pouca experiência, é importante que os estagiários e candidatos ao estágio entendam o que é esperado deles em cada função, e quais posturas e comportamentos podem levar ao encerramento de contrato de estágio. “O encerramento de contrato raramente vai ser motivado por uma única razão”, comenta Gondim.  “Costuma ser um conjunto de fatores que vão se somando, baixo rendimento aqui, pouco engajamento ali, uma postura um pouco inadequada”, explica. 

A rigor, a dispensa deste profissional não ocorre por via da demissão, pois ele não é um funcionário que trabalhe no regime celetista, mas sim sob as diretrizes do contrato de estágio, regulamentado segundo a Lei do Estágio (Lei nº 11.788). No entanto, este contrato pode ser rescindido, caso a empresa avalie que o desempenho ou comportamento do contratado não correspondam às regras ou expectativas da empresa. 

Segundo a especialista, o estagiário deve lançar estratégias sobre como ser um bom colaborador e colega de equipe, não apenas para evitar uma demissão antecipada, mas também para ser candidato às vagas efetivas ao fim do contrato. “A empresa que contrata estagiários está investindo na sua formação profissional, de certo modo, apostando no seu potencial. O que cada um faz com este conhecimento será considerado o seu diferencial”, complementa. 

A seguir, confira sete erros críticos que podem levar à rescisão do contrato de estágio. 

  1. Falta de proatividade

Muitos estagiários executam apenas as tarefas previstas e aguardam novas orientações, sem buscar aprendizado adicional, interesse ou mobilização. 

É natural que no começo da jornada o foco seja conhecer pessoas, aprender as atividades básicas e buscar cumprir horários. Mas, depois de dominar o essencial, é importante demonstrar interesse em aprender mais, pedir novas responsabilidades e entender como pode contribuir além do mínimo esperado. A proatividade pesa especialmente quando há poucos espaços para efetivação.

  1. Problemas de postura e convivência

Ter em mente que competência técnica não sustenta a permanência quando faltam atitudes profissionais no dia a dia é essencial para o sucesso de um estágio. Pequenos comportamentos, muitas vezes vistos como normais, podem desgastar a imagem do estagiário. Chegar e se jogar na cadeira, usar linguagem inadequada, exagerar na informalidade, se comunicar de maneira desrespeitosa ou comentar sobre colegas e líderes em tom de fofoca são exemplos que pesam negativamente.

Postura também aparece na forma de se apresentar, de se comunicar e de conviver. Não estamos falando de rigidez excessiva, mas de equilíbrio: saber observar como as pessoas se comportam, respeitar o ambiente, adaptar o tom da comunicação e entender como se posicionar com profissionalismo. As empresas buscam estagiários que, além de aprender, saibam representar bem a equipe e construir relações saudáveis no trabalho.

  1. Falta de comunicação

Muitos estagiários acreditam que perguntar demonstra fraqueza quando, na prática, o silêncio costuma gerar erros maiores. Ficar com dúvidas, evitar pedir ajuda ou executar uma tarefa sem clareza pode levar a retrabalho, atrasos e falhas que poderiam ser evitadas com uma simples pergunta.

Um exemplo comum: o estagiário participa de um treinamento, mas semanas depois não lembra exatamente como executar a atividade. Em vez de confirmar o procedimento, tenta se virar e acaba cometendo erros. Esta comunicação consiste em envolver o gestor, sinalizar dificuldades, alinhar prioridades e pedir feedback. Perguntar, esclarecer e manter diálogo aberto mostram maturidade, responsabilidade e vontade real de aprender.

  1. Não se fazer presente

No ambiente de trabalho, discrição em excesso pode virar invisibilidade. Estagiários que participam pouco, não se posicionam, evitam interações ou permanecem sempre em segundo plano, acabam fora do radar, especialmente quando surgem novas oportunidades.

Isso aparece em atitudes simples: deixar a câmera fechada em reuniões quando todos estão visíveis, não contribuir em conversas, ficar sem interagir com outras áreas ou limitar o contato apenas às tarefas imediatas. Presença não significa falar o tempo todo, mas demonstrar interesse, participar quando há espaço e construir relações. Muitas vezes, uma conversa no café, um comentário pertinente na reunião ou o pedido para acompanhar um projeto são comportamentos que mudam de modo positivo a percepção dos líderes e colegas. 

  1. Não entender o impacto do próprio trabalho

Fazer a tarefa sem entender o porquê limita o crescimento. O estagiário precisa saber como o que ele faz afeta a equipe, a área e a empresa. A dica é, sempre que possível, buscar compreender cada etapa do trabalho: de onde vem a demanda, para onde vai, qual é o seu impacto e quem depende daquele resultado.

Por exemplo, um estagiário de recrutamento não apenas é responsável por agendar entrevistas com candidatos,  ele ajuda a viabilizar contratações que impactam toda a operação. Quando não há essa visão, a entrega pode se tornar automática e superficial. Já quem entende o contexto atua com mais clareza, desenvolve pensamento estratégico e aprende a argumentar e priorizar demandas, acelerando o próprio desenvolvimento profissional.

  1. Resistência a tarefas operacionais

Nem todo trabalho será estimulante o tempo todo. Parte do aprendizado envolve também atividades repetitivas ou operacionais, e rejeitá-las pode sinalizar desalinhamento com a realidade da função. Estagiários que querem escolher apenas tarefas interessantes tendem a frustrar expectativas da equipe. 

No começo da carreira, não é a tarefa mais interessante que vai definir o crescimento, e sim a forma como o estagiário encara o que precisa ser feito. É no operacional que se aprende ritmo, responsabilidade, organização e entende como as coisas realmente funcionam. Quem leva essas atividades a sério constrói uma base sólida e evolui com mais segurança, o estratégico só faz sentido para quem dominou o básico primeiro.

  1. Dependência excessiva do gestor

Esperar orientação para executar todas as demandas pode passar a imagem de insegurança e pouca iniciativa. O gestor também tem suas próprias responsabilidades para serem cumpridas. Por isso, o estagiário precisa desenvolver autonomia com o passar do tempo, para dar continuidade às atividades do dia a dia, buscar informações e resolver questões simples sem depender de orientação constante.

Isso significa conhecer suas tarefas, rotinas e prioridades. Ter autonomia não é agir sozinho ou sem alinhamento, mas conseguir dar andamento ao que já foi combinado e buscar soluções com responsabilidade e proatividade.

Outros fatores que pesam na permanência

Além destes pontos, há outras atitudes que devem ser evitadas se o estagiário deseja continuar na empresa e ser considerado para uma vaga efetiva. Entre elas estão: dificuldade de trabalhar em equipe, resistência a mudanças, postura defensiva diante de feedbacks, pouca responsabilidade com horários e prazos, faltas injustificadas e falhas na comunicação.

Há também situações mais graves, como quebra de confidencialidade, uso indevido de recursos da empresa ou desrespeito a colegas, que podem levar ao desligamento imediato.

Muitas vezes a rota pode ser ajustada

Nem todo erro vai dar num beco sem saída. O gestor e o time de RH compreendem que o estagiário ainda está ganhando experiência e, frequentemente, estão dispostos a dar uma segunda chance, principalmente quando observam um esforço real para evoluir. 

“É sempre possível se aprimorar. Isso passa por aprender a ouvir feedbacks com abertura, refletir sobre os pontos de melhoria e ajustar atitudes no dia a dia, demonstrando comprometimento. Mudanças de postura, organização, responsabilidade e comunicação podem transformar a percepção sobre o estagiário e fazer o que parecia um risco de desligamento se tornar uma oportunidade concreta de  efetivação”, diz Gondim. Ela acrescenta também que o estágio é um espaço de aprendizado, não de perfeição, e entender isso é um ótimo ponto de partida.