CRISE NA MONARQUIA BRITÂNICA

'Ninguém está acima da lei', afirma Starmer antes da prisão do ex-príncipe Andrew

Primeiro-ministro britânico defende igualdade perante a lei após detenção de Andrew Mountbatten-Windsor, investigado por ligação com Jeffrey Epstein.

Publicado em 19/02/2026 às 09:44
'Ninguém está acima da lei', afirma Starmer antes da prisão do ex-príncipe Andrew Peter Nicholls/Pool via AP

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, declarou à BBC nesta quinta-feira, 19, que "ninguém está acima da lei", poucas horas antes de a emissora noticiar a prisão do ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor. A detenção ocorreu em meio às investigações sobre os laços do ex-integrante da família real com Jeffrey Epstein, conforme informou o jornal The New York Times.

Ao comentar o caso, Starmer ressaltou que o princípio da igualdade legal "deve ser aplicado neste caso da mesma forma que em qualquer outro".

Prisão de Andrew

Andrew Mountbatten-Windsor, ex-príncipe da monarquia britânica, foi preso nesta quinta-feira na Sandringham House, sob suspeita de má conduta em cargo público, segundo a BBC.

A Polícia do Vale do Tâmisa informou, em comunicado, que deteve "um homem de sessenta e poucos anos de Norfolk sob suspeita de má conduta em cargo público". Embora a corporação não tenha divulgado oficialmente o nome, a BBC confirmou que se trata de Andrew.

Em nota oficial, o rei Charles III expressou "profunda preocupação" com a prisão e reforçou que "a lei deve seguir seu curso". O monarca afirmou ainda que o processo será conduzido de forma justa e que a família real apoia as investigações.

A detenção ocorreu no dia em que Andrew completa 66 anos.

Investigação sobre caso Epstein

O ex-príncipe é alvo de investigação após denúncia de suposto compartilhamento de material confidencial com Jeffrey Epstein, condenado por exploração sexual de menores.

Documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam que, em 2010, Andrew trocou e-mails com Epstein sobre oportunidades de negócios enquanto ocupava o cargo de Representante Especial do Reino Unido para o Comércio Internacional. O Ministério Público britânico também acompanha o caso.

Nesta quinta-feira, policiais realizaram buscas em endereços nos condados de Berkshire e Norfolk. Andrew reside na Sandringham House, em Norfolk, após deixar a residência real em Windsor no início do mês, em razão da perda do título real devido à sua relação com Epstein.

"Após avaliação minuciosa, abrimos uma investigação sobre esta alegação de má conduta em cargo público", declarou o chefe adjunto da Polícia do Vale do Tâmisa, Oliver Wright. "Entendemos o significativo interesse público neste caso e forneceremos atualizações no momento oportuno." A corporação acrescentou que, por ora, não concederá entrevistas ou novos comunicados.

Além da suspeita de compartilhamento de informações confidenciais, Andrew já enfrentou acusações de agressão sexual contra menores. A advogada Virginia Giuffre, uma das principais testemunhas do caso Epstein, afirmou ter mantido relações sexuais com Andrew em três ocasiões, incluindo na mansão de Epstein em Nova York, quando era adolescente.

Andrew sempre negou as acusações, mas firmou um acordo judicial com Virginia em 2022, evitando um julgamento com júri.