MERCADO FINANCEIRO

Dólar recua após abertura em alta, influenciado por fluxo comercial

Moeda americana chegou a subir diante de tensões no Oriente Médio, mas fluxo comercial e alta do petróleo favoreceram o real.

Publicado em 19/02/2026 às 09:50
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O dólar iniciou o pregão desta quinta-feira, 19, em alta no mercado à vista, mas passou a recuar diante do possível ingresso de fluxo comercial. Por volta das 9h40, a moeda americana era negociada a R$ 5,2258, queda de 0,28% e mínima intradiária. Mais cedo, chegou a atingir R$ 5,2533, com alta de 0,24%.

A valorização de mais de 1% do petróleo favoreceu a entrada de recursos e a recuperação do real, após o dólar abrir fortalecido devido à demanda defensiva estimulada pela valorização externa da moeda dos EUA frente a pares desenvolvidos e principais moedas emergentes ligadas a commodities.

O movimento inicial de alta refletiu a busca por proteção dos investidores, diante de temores sobre um possível ataque dos Estados Unidos ao Irã. Esse cenário ainda sustenta o dólar em patamares elevados frente a outras moedas emergentes e de países exportadores de commodities.

A tensão geopolítica aumentou com a intensificação da pressão militar entre EUA e Irã, que seguem sem acordo sobre o programa nuclear iraniano, elevando o risco de escalada no Oriente Médio.

O presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou a presença militar na região, enquanto a falta de inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) amplia as preocupações globais e mantém o ambiente de tensão.

A alta do petróleo também contribui para limitar as perdas das moedas emergentes, mesmo com o recuo das bolsas internacionais e o viés de alta do ouro.

No mercado interno, os juros futuros avançam de forma moderada, refletindo o resultado do IBC-Br e a valorização do dólar e dos rendimentos dos Treasuries americanos.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou queda de 0,18% em dezembro, desempenho melhor que o previsto (-0,40%). Já a alta de 2,45% do IBC-Br em 2025 ficou levemente acima da mediana das projeções (2,40%).

No campo da inflação, o IGP-M recuou 0,70% na segunda prévia de fevereiro, após alta de 0,44% em janeiro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). Todas as principais aberturas do índice apresentaram alívio.

O IPC-S também desacelerou para 0,45% na segunda quadrissemana de fevereiro, após 0,59% na leitura anterior, acumulando alta de 3,84% em 12 meses.

No cenário internacional, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, ameaçou retirar o país da Agência Internacional de Energia (AIE) caso a entidade mantenha a agenda de emissões líquidas zero, defendendo que a agência volte a priorizar segurança e acesso à energia, conforme noticiou a AFP.

Também nesta quinta-feira, o presidente Donald Trump realiza a primeira reunião do Conselho da Paz, com países aliados, para discutir a reconstrução de Gaza e a criação de uma força internacional de estabilização.

O PIB da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) cresceu 0,3% no quarto trimestre de 2025, desacelerando em relação ao trimestre anterior (0,4%). No acumulado do ano, a economia avançou 1,7%, superando os resultados de 2024 e 2023.