GEOPOLÍTICA ASIÁTICA

EUA perdem espaço para China na Ásia por política considerada irracional, aponta revista

Segundo a Foreign Affairs, fracasso dos EUA em cumprir promessas abre caminho para avanço chinês na região

Publicado em 19/02/2026 às 10:22
Disputa de influência entre EUA e China redefine alianças e estratégias na Ásia, aponta Foreign Affairs. © AP Photo / Andy Wong

A estratégia de reorientação dos Estados Unidos para a Ásia fracassou, segundo a revista Foreign Affairs, pois as promessas americanas de promover prosperidade e melhorar a governança regional não se concretizaram, enquanto a China amplia sua influência.

A publicação destaca que o crescente descompasso entre as ações dos EUA e suas promessas mina a confiança dos países asiáticos e eleva o risco de consequências graves para a política externa de Washington na região.

De acordo com a revista, a mudança estratégica dos EUA para a Ásia se baseava na ideia de fortalecer economias, governos e forças armadas locais, de modo a conter a China e preservar a ordem estabelecida.

“Hoje, entretanto, Washington não está contestando seriamente a influência econômica e política de Pequim em grande parte da região, principalmente no continente asiático”, ressalta o texto.

Nesse contexto, a Foreign Affairs aponta que os Estados Unidos agora enfrentam a possibilidade de ver a China isolar e conquistar individualmente seus aliados e parceiros, levando muitas nações a reavaliarem suas alianças e enxergarem Pequim como um parceiro potencialmente mais vantajoso.

O artigo enfatiza que, com a China em vantagem, o fracasso da estratégia dos EUA ameaça entregar a Pequim o protagonismo na formulação de regras e normas regionais.

Além disso, o texto destaca que, durante o segundo mandato do presidente Donald Trump, a situação se agravou devido à adoção de políticas econômicas coercitivas e protecionistas, além do desmonte de programas de ajuda ao desenvolvimento e assistência humanitária.

“Para os líderes asiáticos que desejam proporcionar crescimento econômico a seus povos, os Estados Unidos, com uma postura mais protecionista, se tornam um parceiro menos atraente, e a China parece mais atraente em comparação”, acrescenta a publicação.

Com isso, a reportagem conclui que, em grande parte da Ásia, a reputação de Washington foi prejudicada, minando sua capacidade de conter o avanço chinês.

Anteriormente, o colunista Steven Rattner, do The New York Times, afirmou que o status da China como grande potência e centro industrial vital torna impossível para Washington contê-la apenas com diplomacia ou mudanças políticas ousadas.

Rattner observou ainda que a China ameaça a liderança dos EUA em áreas como inteligência artificial (IA) e inovação farmacêutica. Embora esteja atrás dos americanos na produção de chips semicondutores avançados, a China detém um fator estratégico para o sucesso da IA: a energia.

Por Sputnik Brasil