MERCADO FINANCEIRO

Exterior cauteloso e recuo menor no IBC-Br impõem cautela ao Ibovespa

Desempenho discreto do índice reflete incertezas internacionais e sinais de desaceleração gradual da economia brasileira.

Publicado em 19/02/2026 às 11:42
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A valorização superior a 1,5% nas cotações do petróleo no exterior não foi suficiente para impulsionar o Ibovespa no início da sessão desta quinta-feira, 19. O principal índice da B3 segue pressionado pela queda das bolsas internacionais, influenciadas por balanços corporativos e tensões entre Estados Unidos e Irã, o que limita avanços mais expressivos.

No cenário doméstico, destaque para a queda de 0,18% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em dezembro frente a novembro. O recuo foi menor que a mediana das estimativas do Projeções Broadcast, que apontava para uma queda de 0,40%.

Ao final de 2025, o indicador acumulou alta de 2,45%, levemente acima da expectativa de 2,40%.

No exterior, o foco está nos discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), além dos dados da balança comercial e dos pedidos de auxílio-desemprego americanos.

O economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, ressalta que o ambiente internacional permanece de cautela. Segundo ele, balanços europeus negativos e preocupações geopolíticas, especialmente envolvendo o Irã, mantêm os mercados sob tensão.

Pedro Cutolo, estrategista da One Wealth Management, avalia que o desempenho contido do Ibovespa indica que parte dos investidores ainda não retornou plenamente após o Carnaval, enquanto outros aguardam novos catalisadores. "Estão tentando entender o movimento recente de ganhos", observa.

Entre as incertezas, destaca-se a dúvida sobre o início dos cortes de juros pelo Fed, após a ata do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto) sugerir uma postura mais conservadora para a política monetária dos EUA do que o mercado esperava.

Quanto ao IBC-Br, o resultado de dezembro confirma uma desaceleração gradual da atividade econômica brasileira, fortalecendo as apostas de início de corte da Selic em março pelo Copom (Comitê de Política Monetária). A dúvida recai sobre o ritmo inicial de redução da taxa, atualmente em 15% ao ano.

Para Leonardo Costa, economista do ASA, o desempenho do IBC-Br reforça o cenário de moderação da economia observado nos dados do IBGE em dezembro, com leve retração na margem e recuperação interanual. O ASA projeta alta de 0,2% para o PIB do quarto trimestre de 2025, a ser divulgado em 3 de março. "Ligeiramente acima do trimestre anterior, de 0,1%, mas ainda compatível com trajetória de desaceleração gradual", afirma Costa.

Sem a referência da China, devido ao fechamento do mercado de minério de ferro em Dalian pelo feriado do Ano-Novo Lunar, as ações do setor de metais ficam sem direção. Na véspera, os papéis da Vale caíram 3,57%, pressionando o Ibovespa, que encerrou em baixa de 0,24%, aos 186.016,31 pontos, apesar da alta do petróleo.

Às 11h30, Vale recuava 1,49%, enquanto Petrobras subia cerca de 1,40%. O Ibovespa registrava alta de 0,18%, aos 186.345,92 pontos, após atingir máxima de 0,49% (186.921,47 pontos) e mínima de -0,05% (185.297,99 pontos), com abertura estável. Em Nova York, as bolsas começaram o dia em queda.