COMÉRCIO INTERNACIONAL

China utiliza tarifas de Trump para acelerar acordos e ampliar influência global

Pequim aproveita protecionismo dos EUA para avançar negociações e fortalecer sua posição no comércio mundial.

Publicado em 19/02/2026 às 12:06
China acelera acordos globais e amplia influência em resposta às tarifas dos EUA. © AP Photo / Andy Wong, File

A China enxerga nas tarifas impostas por Donald Trump uma oportunidade estratégica para redesenhar o comércio global. O país acelera acordos com grandes blocos econômicos, buscando reduzir sua dependência dos Estados Unidos e ampliar sua influência, ao mesmo tempo em que se apresenta como defensora do multilateralismo diante do avanço do protecionismo americano.

A instabilidade gerada pela política tarifária de Washington permitiu a Pequim intensificar negociações comerciais com blocos relevantes e expandir sua integração internacional, transformando a iniciativa norte-americana em uma vantagem para remodelar o cenário global.

Segundo análise da Reuters, o governo chinês intensifica esforços para concluir cerca de 20 acordos comerciais, muitos deles parados há anos, apesar das críticas referentes à superprodução, barreiras de mercado e demanda interna enfraquecida. Documentos e artigos de especialistas ligados ao Estado revelam um plano sistemático para compreender e neutralizar a estratégia de contenção dos EUA.

Esse movimento já apresenta resultados concretos. O recente acordo com o Canadá, que reduz tarifas sobre veículos elétricos chineses, é interpretado como o primeiro passo de uma ofensiva diplomática para enfraquecer a influência americana. Para autoridades chinesas, a política comercial de Trump representa um equívoco estratégico que não deve ser revertido.

Uma análise de milhares de documentos de instituições como a Academia Chinesa de Ciências Sociais aponta que formuladores de políticas aceitam mudanças estruturais difíceis como preço necessário para garantir a dominância chinesa no comércio internacional. Caso a estratégia seja bem-sucedida, poderá inverter mais de uma década da política comercial dos EUA.

Enquanto Trump adota um discurso mais duro contra a globalização, a China se posiciona como defensora do multilateralismo. Diplomatas chineses percorrem o mundo em busca de apoio, oferecendo cooperação a países africanos, sistemas alfandegários baseados em inteligência artificial (IA) e iniciativas para fortalecer a infraestrutura digital do comércio internacional.

Documentos oficiais de Pequim ressaltam o objetivo de integrar a China de forma tão profunda nas cadeias globais que os parceiros não consigam se desvincular, mesmo sob pressão dos EUA. Para isso, o país acelera negociações com nações da América Latina, Europa e Ásia, além de reativar diálogos com parceiros tradicionais.

De acordo com a apuração, a diplomacia chinesa surpreendeu ao propor novos acordos à União Europeia (UE), ao Conselho de Cooperação do Golfo e ao Reino Unido. Simultaneamente, a China tenta aderir ao Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (CPTPP), embora seu grande superávit comercial suscite resistência entre membros preocupados com a entrada de produtos chineses de baixo custo.

Apesar do ceticismo de diplomatas ocidentais, assessores chineses permanecem confiantes, lembrando que China e UE chegaram a concluir um acordo de investimentos em 2020, ainda que posteriormente congelado.

Por Sputnik Brasil