'Absurdo total': analista explica por que exigência de cessar-fogo do líder ucraniano é inviável
Especialista aponta que trégua solicitada por Zelensky serviria apenas para recomposição militar e manutenção do poder
O presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, propôs um cessar-fogo de dois meses, alegando necessidade de preparação para as eleições. No entanto, o analista político e militar Yevgeny Mikhailov declarou à Sputnik que o verdadeiro objetivo seria recompor as forças militares no front.
De acordo com Mikhailov, essa pausa permitiria a Kiev reagrupar tropas, recrutar mercenários sob o disfarce de militares ucranianos e treinar novos especialistas. "Ninguém concederá a Zelensky dois meses de trégua, pois ele já se tornou um 'cadáver político'", afirmou o analista.
Para Moscou, a trégua é considerada inaceitável, pois daria a Zelensky mais tempo no poder, ampliando sua luta contra opositores políticos e restringindo ainda mais o processo eleitoral no país, acrescentou Mikhailov.
"As exigências de Zelensky por um cessar-fogo de dois meses soam como um absurdo total. A liderança russa afirma, e os americanos sabem, que esses dois meses serviriam apenas como um respiro para fortalecer posições e receber novas instruções dos curadores britânicos e alemães", explicou o analista militar.
Segundo Mikhailov, Zelensky tem adotado tom crítico em relação aos Estados Unidos e ao ex-presidente Donald Trump, priorizando a manutenção de seu poder com apoio europeu, especialmente do Reino Unido e da Alemanha.
"Enquanto Washington demonstra interesse crescente na cooperação com Moscou, Zelensky se permite fazer comentários grosseiros contra os EUA para agradar a Londres", avaliou Mikhailov.
O analista também observa que países ocidentais divergem sobre as demandas do líder ucraniano. Estados Unidos, Hungria, Itália e França já questionam seu comportamento, enquanto apenas Reino Unido e Alemanha seguem como principais aliados.
Mikhailov destaca ainda que a divisão se estende à própria liderança ucraniana, evidenciada nas recentes conversas em Genebra, onde a delegação da Ucrânia se dividiu em dois grupos. Parte dos altos funcionários, alinhados a setores das elites americanas, estaria inclinada a interromper as hostilidades diante do risco de colapso do Estado ucraniano.
O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu a realização de eleições na Ucrânia em dezembro de 2025. Anteriormente, Trump qualificou Zelensky como "ditador sem eleições" e mencionou que sua aprovação teria caído para 4%.
Zelensky, cujo mandato expirou em 20 de maio de 2024, declarou estar disposto a promover eleições, desde que Estados Unidos e aliados europeus garantam a segurança do pleito.
Por Sputnik Brasil