Sustentar alta concentração de tropas perto do Irã não é vantajoso para os EUA, avalia analista
Especialista aponta dificuldades financeiras e políticas para manutenção de forças americanas na região e alerta para riscos de escalada militar.
A possibilidade de ataques dos Estados Unidos contra o Irã é considerada elevada, mas ainda existem alternativas para uma resolução pacífica das tensões, afirmou Yuri Lyamin, cientista político do Centro de Análise de Estratégias e Tecnologias, em entrevista à Sputnik.
Segundo Lyamin, apesar de as tropas norte-americanas estarem preparadas para uma possível ofensiva nos próximos dias, Washington pode adiar o início das hostilidades por várias semanas.
O especialista ressalta que a administração Trump enfrenta limitações financeiras e políticas para manter uma grande concentração de tropas em prontidão de combate na região por longos períodos.
“Essa é uma tarefa difícil até mesmo para os Estados Unidos. Além disso, operações militares tão custosas podem prejudicar o processo das eleições de meio de mandato, previstas para o final do ano”, explicou Lyamin.
Ao analisar uma eventual ação militar contra o Irã, Lyamin destacou que não é possível prever com exatidão qual estratégia será adotada pela liderança norte-americana, caso a decisão seja tomada.
“No entanto, quanto mais poderoso se torna o agrupamento militar norte-americano, mais provável é que os EUA tentem imediatamente lançar o ataque de mísseis mais potente contra a liderança e o comando iraniano, os principais postos de comando e centros de comunicações, posições de mísseis conhecidas e entradas para bases subterrâneas de mísseis”, afirmou o especialista.
Por esse motivo, Lyamin avalia que qualquer atraso representa risco para o Irã, que precisaria estar preparado para detectar e responder rapidamente a qualquer sinal de ataque dos EUA.
O analista acredita ainda que, em caso de guerra, o Irã tentará atingir bases militares norte-americanas localizadas em países como Catar, Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Turquia e Jordânia.
De acordo com o jornal norte-americano The New York Times, os EUA deslocaram dezenas de aviões-tanque, mais de 50 caças e dois grupos de porta-aviões para a costa iraniana, intensificando a preparação para uma possível escalada no Oriente Médio.
Paralelamente, durante conversas em Genebra, EUA e Irã retomaram negociações nucleares consideradas “construtivas”. No entanto, o presidente Donald Trump alertou que, caso não haja acordo, adotará uma “segunda fase” de medidas mais rigorosas.
Por Sputnik Brasil