Produtividade impulsionada por IA pode aproximar juros do nível neutro nos EUA, avalia membro do Fed
Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, destaca impacto da inteligência artificial na produtividade e nos juros, e critica criptomoedas durante evento nos EUA.
O presidente do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, de Minneapolis, Neel Kashkari, manifestou nesta quinta-feira, 19, otimismo quanto ao uso da inteligência artificial (IA) na economia. Segundo ele, o aumento da produtividade proporcionado pela tecnologia já é perceptível entre as empresas que adotam a IA, e os investimentos no setor têm reflexos diretos na taxa de juros.
“O investimento em IA provavelmente está levando a taxa de juros ao nível neutro”, afirmou Kashkari durante painel do Encontro Econômico de Perspectivas do Meio-Oeste de 2026, realizado na Dakota do Norte. Ele acrescentou que a IA pode impulsionar a produtividade nos próximos cinco a dez anos.
Kashkari ressaltou, contudo, que há limitações no uso da tecnologia. O dirigente explicou que o Fed adota uma postura cautelosa ao utilizar IA internamente, implementando medidas rigorosas para proteger dados confidenciais.
Durante o evento, Kashkari também demonstrou ceticismo em relação ao papel das criptomoedas na economia real. Em contraste com as ferramentas de IA, que já estão integradas ao dia a dia das empresas, ele classificou as criptomoedas como “completamente inúteis”.
Ao comentar sobre inovações em meios de pagamento, como as stablecoins, Kashkari questionou sua utilidade prática diante dos sistemas já existentes. “Quando pergunto sobre utilidade de criptomoedas, não recebo nenhuma resposta. Posso enviar US$ 5 a qualquer um via Venmo, PayPal ou Zelle, então o que essa stablecoin mágica pode fazer?”, indagou.
Críticas a Kevin Hassett
O presidente do Fed de Minneapolis também rebateu comentários do diretor do Conselho Econômico Nacional dos EUA, Kevin Hassett, sobre uma pesquisa relacionada aos custos das tarifas para a população americana. Segundo Kashkari, as declarações de Hassett buscam desestabilizar a independência do banco central.
“Os comentários de Hassett sobre a pesquisa da equipe do Fed foram apenas mais um passo para tentar comprometer a independência do Fed”, afirmou.
O estudo citado, publicado pelo Fed de Nova York, aponta que empresas e consumidores americanos continuam a arcar com a maior parte do ônus econômico das tarifas elevadas impostas em 2025, levando as companhias a reorganizarem suas cadeias de suprimentos.
Kashkari ainda destacou que o Fed está próximo de cumprir seus dois mandatos – controle da inflação e manutenção do emprego –, enquanto a taxa básica de juros se encontra muito próxima do nível neutro, ou seja, sem pressionar para cima ou para baixo a atividade econômica.
Segundo ele, a inflação está em trajetória de queda e as pressões sobre os preços devem continuar a arrefecer. “O mercado de trabalho tem se mantido bastante resiliente e, embora mais suave, segue entre razoavelmente bom a muito bom”, completou.