ECONOMIA

Ressaca financeira pós-Carnaval: especialista orienta como "estancar" gastos e se preparar para o Imposto de Renda

Professora da UniCesumar orienta passos simples para retomar o controle financeiro no início do ano

Por Imprensa Vitru Publicado em 19/02/2026 às 15:38
Imagem gerada por IA

Com o fim do Carnaval, muitas famílias começam a sentir o impacto da conta que ficou para depois, principalmente quando o feriado se soma às despesas típicas do início do ano. Para a professora Joenice Diniz, do curso de Ciências Contábeis da UniCesumar de Londrina, a chamada “ressaca financeira” é até frequente, mas não deveria ser tratada como algo aceitável, “ter ressaca financeira não é bom para ninguém”, afirma.  

Segundo a docente, o aperto no orçamento costuma ser resultado da concentração de gastos fixos e sazonais em um curto período, caracterizada por contas acumuladas do fim do ano, como IPTU e custos escolares, além de férias, viagens e lazer. “A combinação desses gastos fora do orçamento, somada ao uso de crédito fácil, cria um aperto no caixa logo no início do ano”, explica Diniz. 

Por que o começo do ano pesa mais no bolso? 

A especialista aponta que o problema não começa no Carnaval, mas se intensifica nele. No início do ano, muitas famílias precisam lidar ao mesmo tempo com despesas que não param, como aluguel, alimentação e contas do dia a dia, e com gastos sazonais, como matrícula, material escolar e seguros.  Com esse cenário, qualquer gasto extra, mesmo que pareça pequeno durante a folia, pode virar um desequilíbrio no mês seguinte. 

Entre os deslizes mais frequentes que resultam no endividamento, Diniz cita o uso do cartão de crédito sem planejamento, o gasto além do previsto para “curtir o momento”, a subestimação de custos de viagem e lazer (como transporte e alimentação) e as compras por impulso. Para ela, um orçamento mensal simples já evitaria grande parte desses problemas. “O maior problema é achar que o cartão de crédito é vilão. Ele é apenas um meio de pagamento. Vilão é quem usa esse meio de pagamento de forma indiscriminada”, diz.  

O que fazer ao se deparar com a fatura?     

Para quem já está assustado com o valor que vai chegar, a orientação é agir rápido e com método. “Primeira coisa é reconhecer o erro e encarar de frente a dívida”, afirma Diniz. Ela recomenda, como primeiros passos: 

  • Separar despesas essenciais das supérfluas; 
  • Priorizar dívidas com juros mais altos; 
  • Negociar com credores; 
  • Montar um orçamento mensal simples (entrada e saída) para enxergar o fluxo. 

As consequências da ‘ressaca financeira’ na declaração do IR  

Para a professora, a “bagunça” pós-Carnaval pode virar problema na hora de declarar o Imposto de Renda. Quando as finanças estão desorganizadas, ela afirma que é comum perder comprovantes, deixar de conferir extratos e esquecer informações importantes, o que pode gerar erros e aumentar o risco de inconsistências.  

Para evitar correria, a professora sugere que o contribuinte comece a organizar os seguintes informes e comprovantes: 

  • Informes de rendimentos (CLT, autônomo, aposentadoria); 
  • Informes de bancos, corretoras e investimentos; 
  • Comprovantes de despesas dedutíveis (como saúde e educação); 
  • Recibos relacionados a dependentes; 
  • Documentos de bens e direitos (imóveis, veículos, participações); 
  • Extratos de saldo em 31/12 do ano-base.