INVESTIGAÇÃO POLICIAL

Celular resgatado do esgoto foi peça-chave para elucidar morte de corretora em Goiás

Vídeo gravado pela vítima e recuperado após 41 dias ajudou a polícia a comprovar a premeditação do crime cometido pelo síndico.

Publicado em 19/02/2026 às 19:44
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Civil de Goiás divulgou nesta quinta-feira (19) um vídeo fundamental para esclarecer o assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, em Caldas Novas (GO). As imagens mostram o momento em que ela foi atacada pelo síndico Cléber Rosa de Oliveira no subsolo do condomínio onde morava. Segundo a polícia, Daiane foi morta com dois tiros na cabeça.

O vídeo foi registrado pela própria vítima, e a gravação só pôde ser acessada após o celular de Daiane ser encontrado, após permanecer 41 dias em uma caixa de esgoto do prédio. O aparelho foi recuperado durante perícia realizada em 30 de janeiro.

No vídeo, Daiane desce o elevador para verificar se o disjuntor do apartamento 402 estava desligado, após uma queda de energia. “Cheguei na recepção. A Equatorial (empresa de energia) não veio cortar, claro, porque está pago. Agora, eu vou descer para ver se o disjuntor está desligado. Vou até o disjuntor do 402 e a gente vai filmar”, narra a corretora.

Ela confere alguns disjuntores e comenta que o síndico está no subsolo: “Vamos ver se essa brincadeira está continuando. O síndico está aqui embaixo, isso eu sei”, diz. Pouco depois, ao encontrar o quadro de energia, Daiane é surpreendida por Cléber.

O delegado João Paulo Ferreira Mendes detalhou que as imagens e as informações da investigação comprovam a premeditação do crime. “No início já dá para ver que ele aguardava a Daiane no subsolo, já estava com luvas e o carro posicionado ao lado do almoxarifado. Ele desligou o painel de energia para que ela descesse, a incapacitou, retirou do local e executou com dois disparos”, explicou o delegado.

Segundo o superintendente da Polícia Científica de Goiás, Ricardo Matos, o síndico utilizou uma pistola .380 semiautomática. Uma das balas ficou alojada na cabeça da vítima e a outra saiu pelo olho esquerdo.

Cléber Rosa de Oliveira, que já estava preso, indicou à polícia o local onde o corpo foi encontrado. Ele e seu filho, Maicon Douglas de Oliveira, foram presos em janeiro suspeitos do crime. Posteriormente, a polícia descartou o envolvimento de Maicon, após análise das provas.

Em nota, os advogados Luiz Fernando Izidoro Monteiro e Silva e Daniel Gonçalves Santos Lima, que defendem Maicon, afirmaram: “O arquivamento das suspeitas, embora fosse a única resposta juridicamente aceitável e já esperada por esta defesa, impõe à sociedade uma reflexão inadiável: o Estado Democrático de Direito não tolera pré-julgamentos, tampouco execração pública promovida pelos 'tribunais da internet'”.

Os advogados reforçam ainda que “o princípio constitucional da presunção de inocência deve ser a regra, e não a exceção”.