Análise: bloqueio energético dos EUA a Cuba está fazendo da ilha uma Gaza dos trópicos?
Especialistas divergem sobre impacto do embargo dos EUA em Cuba e comparam situação à crise em Gaza.
O bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos a Cuba tem agravado uma crise humanitária na ilha, segundo alerta das Nações Unidas. A escassez de combustíveis compromete setores essenciais como saúde e alimentação, além de expor a população a temperaturas mínimas recordes, chegando a graus abaixo de zero.
Para o cientista político Bruno Lima Rocha, não há exagero em classificar o bloqueio como crime contra a humanidade, já que impede Cuba, um país soberano, de receber itens de primeira necessidade. "Isso é uma regra do direito internacional, chamada punição coletiva, onde toda uma população paga o preço por uma tentativa de Washington de promover mudança de regime. [...] Hoje, Cuba é a Gaza do continente latino-americano", afirma.
A análise de Rocha é respaldada pelo internacionalista Williams Gonçalves, que considera a medida não apenas anti-humanitária, mas também uma forma de genocídio, ressaltando que a ação não foi aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU. "Portanto, é um crime internacional, sim, semelhante ao que Israel promoveu contra os palestinos em Gaza. Uma ação que vai contra a consciência humanitária do século XXI", pontua Gonçalves.
Por outro lado, o economista Roberto Uebel adota uma postura mais cautelosa ao definir as ações dos EUA como crime contra a humanidade, observando que o direito internacional não prevê explicitamente embargos. "É muito temerário compararmos a situação de Cuba, que enfrenta um embargo econômico e comercial com possíveis impactos humanitários, à de Gaza, onde há grave violação de direitos humanos e uma grande crise humanitária. [...] Não há, por exemplo, um fluxo de refugiados cubanos semelhante ao dos palestinos", pondera Uebel.