INVESTIGAÇÃO INTERNACIONAL

Polícia faz novas buscas em endereços ligados ao ex-príncipe Andrew após prisão

Diligências ocorrem um dia após detenção do ex-membro da realeza, investigado por envolvimento com Jeffrey Epstein.

Publicado em 20/02/2026 às 08:17
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Autoridades britânicas realizaram buscas em imóveis ligados ao ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor na manhã desta sexta-feira, 20, um dia após sua prisão no contexto da investigação sobre o caso Epstein.

Segundo a emissora pública BBC, viaturas da Polícia do Vale do Tâmisa foram vistas no Royal Lodge, residência real em Windsor mantida pela Coroa, onde Andrew morava até o início do mês. O ex-príncipe deixou o imóvel após perder o título real, em meio à repercussão de sua relação com Jeffrey Epstein, condenado por exploração sexual de menores.

A BBC relatou que os veículos utilizados estavam descaracterizados, mas ao menos dois eram conduzidos por policiais uniformizados.

Em comunicado divulgado na quinta-feira, 19, a Polícia do Vale do Tâmisa informou ter prendido "um homem de sessenta e poucos anos de Norfolk sob suspeita de má conduta em cargo público". Procurada pela BBC nesta sexta-feira, a corporação afirmou que não faria novos comentários sobre as buscas.

As diligências começaram ainda na quinta-feira em endereços nos condados de Berkshire e Norfolk, incluindo a Sandringham House, atual residência de Andrew. Segundo as autoridades, as buscas em Norfolk já foram concluídas.

Andrew é alvo de investigação após denúncia sobre o suposto compartilhamento de material confidencial com Epstein.

Documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam que, em 2010, o ex-príncipe trocou e-mails com Epstein sobre oportunidades de negócios. Na época, Andrew era Representante Especial do Reino Unido para o Comércio Internacional. O caso também está sob análise do Crown Prosecution Service, equivalente ao Ministério Público britânico.

Após a prisão, o rei Charles III, irmão de Andrew, manifestou-se em comunicado à BBC, dizendo receber as notícias com "profunda preocupação".

"O que se segue agora é o processo completo, justo e adequado pelo qual esta questão será investigada de forma apropriada e pelas autoridades competentes", declarou o rei. "Deixe-me ser bem claro: a lei deve seguir seu curso."

O ex-príncipe permaneceu detido por algumas horas antes de ser liberado sob investigação. Ele foi flagrado pela BBC deixando uma delegacia em Norfolk, sentado no banco traseiro de um carro. A ex-secretária de imprensa da rainha Elizabeth II, Ailsa Anderson, relatou à emissora que Andrew aparentava estar "atordoado", "em estado de choque" e "cabisbaixo".

Além desta investigação, Andrew já enfrentou acusações de agressões sexuais contra menores. A advogada Virginia Giuffre, uma das principais testemunhas do caso Epstein, afirmou ter mantido relações sexuais com o ex-príncipe em três ocasiões, incluindo uma na mansão de Epstein em Nova York, quando ainda era adolescente.

Andrew sempre negou as acusações, mas firmou acordo judicial com Virginia em 2022, evitando julgamento com júri. No ano passado, após a divulgação do livro de memórias póstumas de Virginia, "Nobody's Girl", a pressão sobre o ex-príncipe aumentou, levando-o a renunciar ao título real.