PROJETO

Cátedras da Unesp renovam lideranças e buscam fortalecer laços institucionais e ações junto à sociedade

Projeto sobre educação no campo quer incluir ribeirinhos, quilombolas e indígenas em seu campo de atuação, enquanto iniciativa que apoia refugiados e imigrantes pretende ampliar a presença desses grupos na Universidade

Por Unesp Publicado em 20/02/2026 às 09:05
Eliete Soares / Acervo Unesp

As cátedras de Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial e Sérgio Vieira de Mello, contam, respectivamente, com os professores José Gilberto Souza e Antônio Mendes da Costa Braga como novos coordenadores. As novas gestões têm início em um contexto marcado pela busca de maior integração com os diversos setores institucionais da Unesp, de maneira a manter projetos que já vinham sendo realizados e expandir a atuação nos campos de ensino, pesquisa e extensão.

De modo geral, as cátedras funcionam como grupos de trabalho nas universidades, com foco no desenvolvimento de pesquisas e projetos sobre questões relevantes para a sociedade. Elas podem ser criadas pelas próprias universidades ou instituições de pesquisa ou, ainda, podem ser frutos de convênios e parcerias com entidades internacionais, como a ONU e a Unesco, como é o caso das duas cátedras abrigadas na Unesp.

Criada em 2009, a Cátedra Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial nasceu de uma parceria entre a Unesco e a Unesp com o objetivo de aproximar movimentos socioterritoriais — como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) — e pesquisadores preocupados com ocupação territorial, campesinato e reforma agrária.

Para o professor José Gilberto Souza, em um contexto no qual a cátedra já está bem estabelecida, os próximos passos envolvem estreitar a interlocução institucional e expandir seu campo de atuação, considerando não apenas movimentos sociais campesinos, mas também a luta por território de caiçaras, ribeirinhos, quilombolas e indígenas. “Hoje, essas comunidades demandam uma educação que leve em consideração suas próprias particularidades, então esse será um primeiro aspecto de mudança da cátedra”, afirma.

Vinculada ao Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais (IPPRI), da Unesp, a Cátedra de Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial deu origem em 2011 ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe. José Gilberto Souza deseja atrair mais docentes da Unesp que estejam envolvidos com temáticas relacionadas para expandir as ações da cátedra pelos municípios paulistas.

“Acredito que é um papel da cátedra criar estruturas de consolidação do diálogo e pensar na não-centralidade para conseguir aproximações entre os projetos das diferentes unidades da Unesp”, afirma o novo coordenador da cátedra ligada ao desenvolvimento territorial.

Deslocamento forçado de populações
A Cátedra Sérgio Vieira de Mello, por sua vez, tem trajetória mais recente: foi formalizada em 2024 a partir de um acordo de cooperação entre a Unesp e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur/ONU). Entre suas atribuições, destaca-se a promoção de projetos de ensino, pesquisa e extensão voltados a temas relacionados à migração internacional, ao refúgio e ao deslocamento forçado de populações.

Antônio Mendes da Costa Braga, novo coordenador da cátedra, também vê a necessidade de promover ações conjuntas e "juntar forças" entre instâncias da Universidade que tenham pontos em comum. Uma das prioridades atuais da cátedra é estudar formas de inclusão de refugiados e migrantes na Unesp. “A proposta é sempre identificar os pontos de convergência entre as cátedras e ver como podemos juntar forças e trocar experiências.”

Embora tenha uma trajetória mais recente, a Cátedra Sérgio Vieira de Mello consolidou uma articulação significativa entre diferentes projetos de extensão da Unesp que já existiam no âmbito da Rede de Atenção ao Migrante Internacional (Ramin), voltada à promoção de atenção, acolhimento e apoio ao migrante internacional. A rede é formada por unidades universitárias dos câmpus de Marília, Assis, Araraquara, Franca e São José do Rio Preto.

“A realidade da cátedra é uma realidade multidisciplinar. Temos em comum a questão dos refugiados e migrantes, mas trabalhamos a partir de perspectivas de diferentes áreas, como antropologia, sociologia, educação, psicologia, idiomas, entre outras”, diz Antônio Braga.

Leia a reportagem completa no Jornal da Unesp.