Nova datação esclarece quem habitou a China há 1,7 milhão de anos
Estudo aponta que Homo erectus chegou ao leste asiático muito antes do que se imaginava
Uma nova análise dos crânios encontrados no sítio arqueológico de Yunxian, na China, revela que o Homo erectus pode ter habitado o leste asiático há cerca de 1,77 milhão de anos — aproximadamente 600 mil anos antes do que se pensava anteriormente, segundo a revista Archaeology News.
Os crânios de Yunxian foram reavaliados por meio de um método inovador, diferente das técnicas anteriores que utilizavam fósseis de animais e ressonância de spin eletrônico, as quais indicavam datas mais recentes para a presença humana na região.

De acordo com a publicação, os cientistas mediram a proporção de isótopos em grãos de quartzo das mesmas camadas sedimentares onde os crânios foram encontrados. Essa técnica permite determinar há quanto tempo o material está enterrado.
"Os pesquisadores calcularam há quanto tempo o sedimento está enterrado. A datação por radiocarbono remonta a cerca de 50.000 anos. Essa técnica se estende a até 5 milhões de anos. Os resultados mostraram que o enterramento ocorreu há cerca de 1,77 milhão de anos", ressalta a publicação.
O artigo destaca que as descobertas sugerem que um ancestral humano primitivo chegou à China central logo após o surgimento da espécie na África, há cerca de 2 milhões de anos.
Isso indica que o leste asiático foi habitado pelo Homo erectus praticamente na mesma época em que ocorreram outras migrações humanas primitivas pelo mundo.
No entanto, permanece uma lacuna importante: ferramentas de pedra encontradas em outras regiões da China são até 600 mil anos mais antigas que os restos mortais recém-datados.

Essa discrepância levanta questionamentos sobre qual espécie de hominídeo teria produzido as ferramentas mais antigas e quando esses grupos chegaram à região.
A nova datação dos fósseis posiciona o Homo erectus no leste asiático muito antes do que se acreditava, ampliando o entendimento sobre as rotas das antigas migrações humanas.
Por fim, a revista destaca que mais escavações e pesquisas são necessárias para esclarecer a linha do tempo dessas migrações e identificar os primeiros habitantes da região.