Takeat capta Série A de R$ 15 milhões e anuncia Marcelo Marani como embaixador para acelerar digitalização no foodservice
Liderada pela DGF, rodada de R$ 15M une a plataforma integrada da Takeat à autoridade de Marcelo Marani para profissionalizar o varejo alimentar e acelerar a transição do setor para uma gestão baseada em indicadores
A Takeat, startup capixaba que desponta como o sistema operacional tudo-em-um para o varejo alimentar, acaba de anunciar a captação de uma rodada Série A de R$15 milhões. O aporte, liderado pela DGF Investimentos com participação da Quartzo, ocorre em um momento crítico de transformação do setor, marcado pela escassez de mão de obra e pela urgência de digitalização.
Apesar da retomada gradual do consumo, o foodservice brasileiro ainda enfrenta desafios históricos, como informalidade na gestão, precificação inadequada e baixa utilização de dados para tomada de decisão. A digitalização avança, mas de forma desigual, especialmente entre pequenos e médios estabelecimentos. Nesse contexto, a Takeat posiciona-se como solução para esse problema, oferecendo infraestrutura tecnológica que permite controle de pedidos, fidelização e acompanhamento de desempenho em tempo real.
Seguindo essa expansão, a Takeat firmou parceria estratégica com Marcelo Marani, fundador e CEO da Donos de Restaurantes (DDR), ecossistema de educação e consultoria para empresários do foodservice, que passa a atuar como embaixador oficial da plataforma. A parceria com o Donos de Restaurantes surge justamente para atacar o ponto mais sensível do setor: a combinação entre ferramenta e mentalidade de gestão.
A união conecta duas frentes consideradas complementares, método e tecnologia. De um lado, a DDR atua na formação e profissionalização do empresário, de outro, a Takeat oferece a ferramenta operacional para execução. A meta da parceria é ampliar o acesso dos empresários às soluções digitais da Takeat por meio da base formada pelo Donos de Restaurantes, criando um ciclo integrado de capacitação e implementação tecnológica. A expectativa é elevar o nível de profissionalização da operação, reduzir desperdícios e aumentar a margem de contribuição dos estabelecimentos.
Marcelo Marani, que tem mais de 25 anos de atuação no mercado de alimentação e já treinou mais de 25 mil empresários no Brasil e no exterior, defende que a maioria dos restaurantes ainda opera sem indicadores claros de desempenho. “A tecnologia sozinha não resolve. O empresário precisa entender margem, fluxo de caixa e recorrência. Quando une educação empresarial com sistema integrado, ele sai do improviso e passa a operar como empresa”, diz.
De acordo com o especialista, a aproximação surgiu a partir de uma leitura comum sobre o estágio atual do mercado. “O setor amadureceu, mas ainda existe uma lacuna entre quem quer crescer e quem sabe estruturar crescimento. A Takeat entra como braço tecnológico e nós entramos como braço estratégico”, afirma.
“Eu acredito que o maior ativo de um dono de restaurante é o tempo. E o que mais rouba dele é o operacional mal resolvido. Tecnologia boa devolve tempo, e tempo devolvido vira gestão, liderança e lucro”, afirma Marani.
Segundo o executivo, ainda há no mercado a percepção de que inovação é algo distante da realidade do pequeno e médio restaurante. “Inovação é reduzir atrito. É parar de fazer no braço o que pode ser feito com método. É trocar o ‘eu acho’ por ‘eu sei’”, diz.
Para o setor, a tendência é de maior consolidação entre plataformas que entregam solução completa, unindo tecnologia, dados e consultoria. O avanço desse modelo pode acelerar a transformação de restaurantes independentes em operações estruturadas, com gestão baseada em indicadores.
O avanço das plataformas integradas não é tendência passageira, mas mudança estrutural. “Quem não se adaptar vai pagar caro, em retrabalho, erro, custo escondido e estresse. O concorrente que usa tecnologia não necessariamente tem mais talento. Ele só tem mais tempo. E o tempo, no restaurante, vira vantagem competitiva”.
A movimentação sinaliza que o foodservice entra em uma fase mais analítica e menos intuitiva. Em um ambiente de custos pressionados e consumidor mais exigente, a convergência entre educação empresarial e tecnologia tende a se tornar não apenas diferencial, mas requisito para sobrevivência.
“Quem conseguir integrar pessoas, processos e tecnologia vai dominar o mercado nos próximos anos. Essa parceria nasce com esse propósito”, conclui Marani.