Alpinista austríaco é condenado por negligência após morte da namorada em escalada
Thomas P. recebeu pena condicional após ser acusado de não prestar socorro à companheira durante escalada no Grossglockner, sob condições extremas.
Um alpinista austríaco foi condenado na última quinta-feira, 19, por ter deixado a namorada morrer de hipotermia durante uma escalada na montanha Grossglockner, a mais alta da Áustria. De acordo com a BBC, Thomas P. recebeu pena de cinco meses de prisão em liberdade condicional e multa de € 9,6 mil (aproximadamente R$ 58,8 mil). Cabe recurso à decisão.
Segundo nota do tribunal enviada à BBC, foram considerados fatores atenuantes como a ausência de antecedentes criminais e o impacto emocional da perda, além da ampla repercussão do caso nas redes sociais, vista como "incriminatória" para o réu.
Durante o julgamento, Thomas alegou inocência, declarou amar a companheira e afirmou que a escalada foi planejada em conjunto. A defesa sustentou que o casal enfrentou uma situação extrema e imprevisível.
O episódio ocorreu em janeiro de 2025. No dia 18, Thomas e sua namorada, Kerstin G., tentaram escalar o Grossglockner sob condições climáticas severas: temperaturas de -8°C, sensação térmica de -20°C e ventos de até 74 km/h.
De acordo com promotores, o casal ficou preso na montanha por volta das 20h50, mas Thomas não teria buscado socorro imediatamente. Às 22h30, um helicóptero da polícia sobrevoou a região, mas, segundo a acusação, ele novamente não pediu ajuda.
A defesa argumentou que o casal não solicitou socorro porque ainda se sentia bem e estava próximo do topo da montanha. Ainda segundo os advogados, Kerstin começou a passar mal e pediu que Thomas buscasse ajuda por volta de 0h35 do dia 19.
A partir desse momento, as versões divergem: socorristas afirmam que receberam ligação de Thomas, mas ele teria minimizado a gravidade da situação; já a defesa sustenta que não houve indicação de que tudo estava sob controle.
Por volta das 2h, Thomas deixou Kerstin sozinha, subiu ao topo e desceu pelo outro lado da montanha. Ele relatou que a namorada estava parada na encosta, mas, ao ser encontrada pelos socorristas, Kerstin estava de cabeça para baixo em uma parede rochosa. Um dos juízes apontou que a posição do corpo pode indicar uma queda.
O laudo necroscópico confirmou hipotermia como causa da morte, além de identificar sinais de pneumonia viral e vestígios de ibuprofeno no organismo da vítima. Não foi possível determinar se a doença comprometeu sua capacidade física ou agravou o quadro.
Um dos magistrados destacou que Thomas era mais experiente em alpinismo do que Kerstin e que o casal deveria ter recuado diante das condições extremas. Os pais da jovem afirmaram que ela praticava alpinismo desde 2020 e não seria imprudente.
Apesar de considerar que Thomas avaliou mal a situação, o juiz concluiu que ele não abandonou a namorada "deliberadamente". "Não o vejo como um assassino, não o vejo como alguém sem coração", declarou, conforme trecho divulgado pela BBC.
Durante o julgamento, uma ex-namorada de Thomas, Andrea B., também prestou depoimento. Ela relatou ter sido abandonada pelo alpinista durante uma escalada na mesma montanha em 2023, quando estava exausta e com tontura. Segundo Andrea, Thomas seguiu adiante e a deixou para trás enquanto ela chorava.