Secretário do Tesouro dos EUA admite surpresa com decisão sobre tarifas, mas nega derrota
Scott Bessent afirma que governo norte-americano usará outros mecanismos para manter tarifas mesmo após decisão da Suprema Corte
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, reconheceu ter ficado "um pouco surpreso" com a decisão da Suprema Corte de derrubar as tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump. Apesar disso, Bessent rejeitou a ideia de que o episódio represente uma derrota para o governo norte-americano. "A Suprema Corte limitou como a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) pode ser vista ou utilizada. A única derrota é a capacidade de arrecadação de dinheiro através da IEEPA", declarou durante evento no Clube Econômico de Dallas.
Reforçando declarações anteriores de Trump, o secretário destacou que o governo dispõe de outros instrumentos para garantir a continuidade de parte das tarifas. "Trump colocará tarifa de 10% agora, com duração prevista de até cinco meses, enquanto iniciamos investigações setoriais que podem durar semanas ou meses", explicou.
Bessent afirmou ainda que, com as novas medidas, a arrecadação do Tesouro com as tarifas deve sofrer "pouca ou nenhuma" alteração em 2026, em comparação ao ano anterior.
Em seu discurso antes da sessão de perguntas e respostas, o secretário detalhou que o governo planeja utilizar as Seções 232 e 301 para implementar novas tarifas, ressaltando que a autoridade dessas medidas foi confirmada por "milhares de processos judiciais". Segundo ele, a combinação dessas ferramentas com a Seção 122 permitirá a manutenção da receita tarifária neste ano.
Bessent também pontuou que não alterou "nenhuma palavra" do discurso preparado para o evento, acrescentando apenas um breve comentário ao final para abordar a decisão da Suprema Corte.
No restante de sua fala, Bessent enfatizou a importância de garantir a segurança econômica dos Estados Unidos por meio do fortalecimento da indústria nacional e da atração de investimentos estrangeiros, com o objetivo de remodelar a economia global, que, segundo ele, era "injusta" para os norte-americanos.