COMÉRCIO EXTERIOR

Alckmin destaca importância de decisão da Suprema Corte dos EUA para o Brasil

Vice-presidente afirma que medida pode ampliar parceria comercial e abrir novas oportunidades econômicas entre os países

Publicado em 20/02/2026 às 18:04
Geraldo Alckmin © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, avaliou nesta sexta-feira, 20, que a recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que invalidou tarifas impostas ao Brasil, representa um avanço significativo para o país. A medida derruba a taxação global implementada pelo então presidente norte-americano Donald Trump, baseada na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês).

"A decisão da Suprema Corte (dos EUA) foi muito importante, especialmente para o Brasil, pois os Estados Unidos são o terceiro maior comprador dos nossos produtos e o principal destino de manufaturados, de itens com maior valor agregado. Com isso, podemos ampliar consideravelmente nossa parceria comercial com os Estados Unidos", declarou Alckmin a jornalistas.

O presidente em exercício lembrou que já havia uma tendência de redução das tarifas, resultado de diálogos entre o presidente Lula e Donald Trump, além da participação do setor privado. Em novembro do ano passado, o governo norte-americano divulgou uma lista de produtos brasileiros isentos da sobretaxa, mas cerca de 20% das exportações brasileiras ainda estavam sujeitas à alíquota. "O tarifaço (10% mais 40%), que onerava 37% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, caiu para 35%, depois 33%, e chegou a 22%. Ainda assim, tínhamos 22% das exportações moderadas pelo tarifaço. Agora, abre-se uma ótima oportunidade para maior complementaridade econômica, investimentos recíprocos e ganhos para ambos os lados", afirmou.

Alckmin ressaltou que o diálogo permanece aberto. "Acredito que essa decisão cria uma avenida ainda maior para fortalecer nosso comércio exterior, o que significa mais empregos e renda. O comércio exterior é fundamental para o crescimento econômico", completou.

Durante a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está em viagem à Índia e à Coreia do Sul até a próxima terça-feira, 24, Alckmin exerce a presidência interina e também responde pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Avanço em temas não tarifários

Após a decisão da Suprema Corte norte-americana, Alckmin destacou que o Brasil pode avançar em temas não tarifários com os Estados Unidos. "O presidente Lula sempre defendeu o diálogo e a negociação, e isso continua. Vamos avançar ainda mais, inclusive em outros temas não tarifários. Precisamos aguardar os desdobramentos, e o Brasil acompanhará tudo de perto", disse.

O vice-presidente salientou que o Brasil possui uma tarifa média baixa, de 2,7%, e que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil.

Dentre os temas de interesse para futuras negociações, Alckmin mencionou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (ReData), que será debatido na Câmara dos Deputados na próxima semana. "Há inúmeras empresas americanas interessadas em investir em data centers no Brasil", exemplificou.

Ele também citou minerais estratégicos e terras raras como áreas relevantes para cooperação. "Em conversas com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e o embaixador Jamieson Greer, do USPR (Escritório Comercial dos Estados Unidos), discutimos questões como o etanol e a certificação do RenovaBio. Conseguimos avançar nessas pautas e podemos progredir em outras questões tarifárias", concluiu.