COMÉRCIO EXTERIOR

Alckmin afirma que ressarcimento do tarifaço será destinado às empresas

Ministro destaca que decisão da Suprema Corte dos EUA beneficia setor empresarial brasileiro e reforça diálogo bilateral

Publicado em 20/02/2026 às 18:11
Geraldo Alckmin Marcelo Camargo / Agência Brasil

O presidente da República em exercício e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (20) que o ressarcimento referente ao tarifaço norte-americano será direcionado às empresas brasileiras. A declaração ocorre após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar a taxação global imposta pelo ex-presidente Donald Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês).

"O ressarcimento será para as empresas, é um assunto, vamos dizer, empresarial. Podemos levantar esses dados e passar depois para vocês, porque isso foi reduzido gradualmente: começou com tarifa de 10%, depois ficou 10% mais 40%. Depois, saíram celulose, alguns tipos de madeira industrial e móvel, depois saiu café, depois saiu carne, depois saíram frutas — não todas, mas uma parte. Houve várias ordens executivas", explicou Alckmin.

O ministro citou exemplos de produtos que ainda permaneciam com sobretaxa, como armamentos, máquinas, pedras ornamentais, certos tipos de frutas e café solúvel. "Quero reiterar que é uma decisão importante, fortalece a relação comercial Brasil-Estados Unidos. A negociação e o diálogo continuam. O que esperamos é mais comércio, investimento recíproco e crescimento das economias", ressaltou.

Alckmin esclareceu que a decisão da Suprema Corte não abrange aço e alumínio, pois não afeta a Seção 232, que mantém tarifa de 50% sobre esses materiais para o mundo inteiro. "Na Seção 232, perdíamos competitividade para quem estava dentro dos Estados Unidos. O que mais impactava era realmente o tarifaço de 10% mais 40%", afirmou.

O ministro lembrou ainda que a tarifa de 10% era global, e o Brasil não perdeu competitividade nos produtos enquadrados nessa alíquota. "Se é 10% geral, o problema foi que o Brasil teve uma tarifa adicional de 40% que ninguém mais tinha. Esse era o ponto: perdemos competitividade. Agora, precisamos aguardar com cautela os desdobramentos, mas a decisão é importante e deve fortalecer a relação Brasil-Estados Unidos", completou.

Questionado sobre a declaração do ex-presidente Donald Trump, que atribuiu a decisão da Suprema Corte a influência estrangeira, Alckmin enfatizou que o governo brasileiro não ingressou na Justiça, nem mesmo como amicus curiae. "Essa foi uma ação interna, que correu dentro dos Estados Unidos. A disposição do Brasil sempre foi pelo diálogo. Tanto é que, independente dessa decisão, já estava pré-agendado para março um encontro entre os presidentes Trump e Lula, e acredito que esse diálogo tende a crescer, com negociações e relações ainda mais fortalecidas", concluiu.