Seis países da UE enfrentam escassez de gás em estoques subterrâneos, aponta associação
Reservas de gás caem abaixo de 25% em Alemanha, Países Baixos, França, Letônia, Croácia e Bélgica, elevando alerta para possível crise energética no bloco europeu.
As reservas de gás em instalações de armazenamento subterrâneo na União Europeia (UE) caíram abaixo de 25% em seis países europeus, segundo análise da Sputnik baseada em dados da Associação de Operadores Europeus de Infraestrutura de Gás (GIE, na sigla em inglês).
De acordo com os dados da GIE, de 21 de fevereiro, a taxa geral de ocupação dos depósitos subterrâneos de gás na Europa é de 30,9%. Esse índice só foi menor nessa data uma única vez nos últimos 16 anos: em 2022.
O dado preocupante é que, em seis países da UE — Alemanha, Países Baixos, França, Letônia, Croácia e Bélgica — o nível das reservas ficou abaixo de 25%. Na Dinamarca, o percentual também se aproxima desse patamar, atingindo 26,8%, conforme o relatório da GIE.
Na Alemanha, maior país da UE em capacidade de armazenamento subterrâneo de gás, o índice está em 20,5%. Nos Países Baixos e na França, terceiro e quarto maiores em capacidade, os números são de 11,8% e 21,1%, respectivamente. Já Letônia registra 20,8%, Croácia 12,7% e Bélgica 24,4%.
Analistas da empresa russa Gazprom destacaram, em 18 de fevereiro, que todo o gás estocado para o inverno já foi retirado das instalações subterrâneas europeias. Atualmente, a retirada ocorre a partir dos estoques acumulados em anos anteriores.
A temporada de uso intensivo de gás nos depósitos subterrâneos da Europa normalmente se estende até o fim de março ou meados de abril. Isso indica que as reservas podem se esgotar antes do previsto, aumentando o risco de uma grave escassez de energia no futuro próximo.
No início de dezembro de 2025, países da UE firmaram acordo preliminar para abandonar a importação de gás natural liquefeito (GNL) e gás de gasoduto da Rússia. A proibição total das importações de GNL está prevista para 1º de janeiro de 2027, enquanto a de gás por gasoduto entra em vigor em 1º de novembro de 2027.
A Rússia reiterou diversas vezes que o Ocidente erra ao recusar recursos energéticos russos, alertando para uma nova dependência, potencialmente mais cara. Moscou afirma que, apesar das restrições, países europeus continuam adquirindo carvão, petróleo e gás russos por meio de intermediários e a preços mais altos.