PATRIMÔNIO PALEONTOLÓGICO

Fósseis brasileiros recuperados na Argentina e Itália são devolvidos ao país

Peças da Bacia do Araripe, retiradas há mais de 30 anos, agora integram acervo do Museu de Paleontologia do Cariri (CE)

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 25/02/2026 às 23:55
Fósseis da Bacia do Araripe recuperados no exterior são entregues ao Museu de Paleontologia do Cariri. © Foto / Divulgação Itamaraty

O governo brasileiro recebeu, nesta quarta-feira (25), dois fósseis de origem nacional recuperados no exterior, durante cerimônia realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília (DF).

As peças, provenientes da Bacia do Araripe — situada na divisa dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí —, foram retiradas do país há mais de 30 anos. Agora, passarão a compor o acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, vinculado à Universidade Regional do Cariri (CE).

O fóssil de crustáceo Martinsestheria codoensis estava sob custódia da Universidad Nacional del Nordeste (UNNE), na Argentina. Em dezembro de 2023, após articulação entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), a peça foi oficialmente entregue à Embaixada do Brasil em Buenos Aires.

Já o fóssil de peixe Vinctifer comptoni foi apreendido na Itália, em 2024, e transferido para a Embaixada do Brasil em Roma. Segundo o MCTI, essa espécie viveu há cerca de 113 milhões de anos e está completamente extinta. O animal possuía corpo alongado, escamas retas e media entre 5 e 90 centímetros.

Durante a cerimônia, o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes) do MCTI, Inácio Arruda, ressaltou a importância da repatriação para a pesquisa e a divulgação científica:

"É um debate central sobre uma questão tão importante como a vida e seus conhecimentos, mas também para a popularização da ciência, que é tão importante para o MCTI", afirmou.

O secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do MRE, embaixador Laudemar Aguiar, destacou que a devolução das peças reforça a confiança entre Estados e "valoriza a ciência brasileira e reconhece o direito das comunidades de origem à preservação e ao aproveitamento do seu patrimônio".