MERCADO INTERNACIONAL

Especialista alerta para risco de escassez global de petróleo caso Ormuz fique fechado por mais de 40 dias

Segundo Marcus D'Elia, bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pode causar falta estrutural de petróleo e alta nos preços.

Publicado em 02/03/2026 às 11:58
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O preço do petróleo deve permanecer volátil, oscilando entre US$ 80 e US$ 100 o barril após o ataque norte-americano ao Irã e a consequente retaliação, afirma Marcus D'Elia, sócio da Leggio Consultoria. Para o especialista, o impacto dependerá do tempo em que o Estreito de Ormuz permanecer fechado. Caso o bloqueio ultrapasse 40 dias, existe o risco de escassez global de petróleo.

“O atual conflito impacta diretamente o Estreito de Ormuz, por onde é exportada 15% da produção mundial de petróleo. Deste volume, cerca de 80% vai para a Ásia, principalmente China, Índia, Japão e Coreia. Com as ameaças do governo iraniano de atacar navios que passarem por este estreito, as petroleiras suspenderam a navegação no trecho”, explica D'Elia.

Segundo ele, o estreito pode ser totalmente fechado em caso de uso de minas subaquáticas, exigindo um longo período para a recuperação da navegabilidade. A passagem também pode ser restringida se o risco para embarcações aumentar, elevando custos de seguro e frete, e desestimulando o transporte.

“O impacto disso pode variar significativamente conforme o tempo em que a passagem permanecer interrompida”, reforça D'Elia.

Cenários

Em um bloqueio curto, de até 10 dias, pode haver volatilidade e o preço do barril pode chegar a US$ 100, mas de forma temporária. Aproximadamente 35% do volume exportado passa pelo estreito, mas os estoques de petróleo na China, Japão e Coreia garantem entre 100 e 200 dias de importação. Assim, esses países conseguiriam suprir a demanda no período. A situação da Índia é mais delicada, com estoques próximos de 60 dias, segundo o especialista.

“Se a interrupção se prolongar por até 40 dias, outras regiões como EUA e União Europeia poderiam recorrer a seus estoques estratégicos, reduzindo a pressão de demanda e ajudando a conter a alta dos preços. Mesmo assim, a volatilidade deve aumentar, mantendo a cotação ao redor de US$ 100”, avalia D'Elia.

No pior cenário — considerado o menos provável —, uma indefinição sobre a reabertura do Estreito de Ormuz prolongaria o bloqueio por mais de 40 dias, provocando uma falta estrutural de petróleo no mundo. Os estoques estratégicos não seriam suficientes para segurar os preços, não apenas pela demanda, mas também porque 15% da produção mundial passa pela região. “É até difícil mensurar o que poderia acontecer”, pontua D'Elia.

O especialista ressalta ainda que não há possibilidade de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aumentar a produção para compensar a oferta.

“Primeiro, porque os principais produtores — Arábia Saudita, Emirados Árabes, Iraque e Irã — também são afetados pelo estreito de Ormuz. Além disso, outros países produzem volumes menores e não têm agilidade para suprir a falta de 15 milhões de barris por dia. Para se ter uma ideia, uma unidade de grande porte produz entre 150 mil e 200 mil barris diários”, conclui.