'Alcântara não está reservada aos EUA': Brasil amplia parcerias para uso do centro espacial
Especialistas destacam que a diversificação de acordos e operadores fortalece o setor aeroespacial brasileiro e reduz dependência dos EUA.
Durante visita à Coreia do Sul, o presidente Lula afirmou que o Brasil busca ampliar o acordo com a empresa aeroespacial Innospace para futuros lançamentos no Centro de Lançamento de Alcântara.
Segundo o engenheiro aeroespacial Annibal Hetem, a entrada de novos operadores como a Innospace tende a acelerar o aprendizado operacional do país, especialmente em integração de campanhas, segurança de voo e processos logísticos. No entanto, ele alerta: "Para que haja desenvolvimento industrial consistente, é necessário prever contratos com conteúdo local mínimo, programas formais de capacitação e metas de nacionalização progressiva."
O professor Antônio Gil Vicente de Brum ressalta que Alcântara é apenas uma parte do programa espacial brasileiro. "Em outros setores, a soberania é fortalecida com parcerias em áreas estratégicas, como o desenvolvimento e operação de satélites de sensoriamento remoto para monitoramento do vasto território nacional, fronteiras e costas, caso do programa CBERS com a China, além do monitoramento da floresta Amazônica."
Para Pedro Martins, internacionalista, a cooperação brasileira com outros países representa um movimento gradual de diminuição da dependência em relação aos EUA, com quem o Brasil precisou assinar o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas para utilizar a base comercialmente. "É um afastamento, mas não chega a ser um rompimento. O que existe é um diagnóstico comum de que os EUA nem sempre são um parceiro totalmente confiável."