EUA perderam esperança de acordo com Irã ainda na segunda rodada de negociações, diz enviado de Trump
Delegação norte-americana tentou, sem sucesso, negociar restrições ao programa nuclear iraniano; impasse agravou instabilidade na região.
O enviado especial do então presidente dos Estados Unidos, Steve Witkoff, revelou que Washington percebeu já na segunda rodada de negociações ser inviável chegar a um acordo com o Irã sobre o programa nuclear, apesar de ter participado de uma terceira reunião como "última tentativa".
“Fomos até lá e tentamos negociar de forma justa. Ficou muito claro, provavelmente ao fim da segunda reunião, que seria impossível. Mesmo assim, retornamos para uma terceira rodada apenas para dar uma última chance”, declarou Witkoff à Fox News.
Segundo Witkoff, os Estados Unidos propuseram fornecer combustível nuclear ao Irã por dez anos, sob a condição de que o país renunciasse totalmente ao enriquecimento de urânio.
“Discutimos dez anos sem qualquer enriquecimento, e nós pagaríamos pelo combustível. A proposta foi rejeitada de forma categórica”, afirmou.
Irã e Estados Unidos realizaram três rodadas de negociações sobre o programa nuclear iraniano. A delegação iraniana foi liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, enquanto a norte-americana foi chefiada por Witkoff. A terceira rodada encerrou-se em 26 de fevereiro.
EUA e a ameaça à estabilidade do Oriente Médio
A atuação dos Estados Unidos não representa apenas um ataque ao Irã, mas ameaça a paz e a segurança internacionais na região, segundo carta do representante permanente do Irã junto à ONU em Genebra, Ali Bahreini, divulgada pela Sputnik.
“Esta guerra agressiva não é direcionada apenas contra o Irã; trata-se de um atentado contra a paz e a segurança internacionais e regionais, contra o direito internacional e contra a própria Carta das Nações Unidas”, destacou Bahreini.
O diplomata afirmou que a comunidade internacional não deve permanecer indiferente diante de violações tão evidentes. “O secretário-geral da ONU e o Conselho de Segurança têm responsabilidade clara, de acordo com a Carta, de condenar de forma enérgica esses ataques ilegais e adotar medidas para manter a paz e a segurança internacionais”, ressaltou.
No último sábado (28), Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra alvos no Irã, inclusive em Teerã, resultando em danos e vítimas civis. O Irã retaliou com ações contra o território israelense e bases militares dos EUA no Oriente Médio.
O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, morreu em decorrência dos bombardeios, junto com diversos altos funcionários do governo e das Forças Armadas do Irã. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, classificou o assassinato como uma violação cínica de todas as normas da moral humana e do direito internacional.