ANÁLISE GEOPOLÍTICA

Professor aponta limites dos EUA para impor regime pró-ocidente no Irã

Jeffrey Sachs, da Universidade de Columbia, avalia que ambições norte-americanas esbarram em desafios geopolíticos e instabilidade regional.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 03/03/2026 às 03:51
Professor Jeffrey Sachs analisa desafios dos EUA para impor regime pró-ocidente no Irã em meio a crise militar. © AP Photo / Hadi Mizban

Os Estados Unidos não conseguirão impor um regime estável e pró-americano no Irã, avaliou Jeffrey Sachs, renomado professor da Universidade de Columbia.

Sachs destacou que o objetivo dos adversários do Irã é consolidar a hegemonia militar de Israel no Oriente Médio, contando com o suporte dos EUA.

"O objetivo principal é alcançar o domínio de Israel com apoio dos EUA e reprimir o mundo árabe [...]. Trata-se de uma jogada geopolítica. Embora seja evidente a tentativa de derrubar o regime iraniano, isso faz parte de um plano mais amplo", afirmou o professor.

O economista norte-americano ressaltou ainda que os EUA seguem buscando hegemonia global, mas suas ambições em relação ao Irã não condizem com suas capacidades atuais.

Segundo Sachs, uma operação militar dificilmente traria facilidade para EUA e Israel, representando riscos para ambos.

"Afinal, trata-se de uma guerra em meio a uma enorme instabilidade política [...]. Os EUA não conseguirão, de forma alguma, estabelecer um regime pró-americano estável no Irã. Isso é impossível", enfatizou.

O especialista concluiu que os próprios EUA não possuem estabilidade suficiente para alcançar esse objetivo.

No sábado (28), Estados Unidos e Israel lançaram uma operação militar em larga escala contra o Irã. Segundo Tel Aviv, o objetivo era impedir que Teerã adquirisse armas nucleares.

O então presidente dos EUA, Donald Trump, declarou intenção de destruir a frota e a indústria de defesa iranianas, além de conclamar a população iraniana a derrubar o regime vigente.

No domingo (1º) à noite, a televisão iraniana anunciou a morte do líder supremo Ali Khamenei. Familiares próximos do aiatolá, como filha, genro, neta e nora, também foram vítimas dos ataques de EUA e Israel.

Relatos da imprensa indicam que os mísseis atingiram não apenas instalações militares, mas também infraestruturas civis no Irã e em outros países da região. Teerã respondeu com ataques ao território israelense e a bases norte-americanas no Oriente Médio.

A Rússia declarou que a operação conduzida por Washington e Tel Aviv não está relacionada à manutenção do regime de não proliferação nuclear e pediu retorno às negociações. O ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou está disposta a contribuir para resolver a crise, inclusive no Conselho de Segurança da ONU.