JUDICIÁRIO

Desfecho no tribunal: Albino Santos de Lima enfrenta último júri popular em Maceió nesta quinta-feira

Réu acumulou mais de 120 anos de prisão em julgamentos anteriores; última etapa analisa o assassinato de idosa de 71 anos ocorrido na Chã da Jaqueir

Publicado em 03/03/2026 às 09:02
Arquivo

O Poder Judiciário de Alagoas coloca um ponto final, nesta quinta-feira (5), em uma das sequências criminais mais emblemáticas da história recente da capital. Albino Santos de Lima sentará no banco dos réus da 9ª Vara Criminal da Capital para enfrentar seu sexto e último júri popular. O julgamento foca no assassinato de Genilda Maria da Conceição, de 71 anos, executada em 2019 sob o olhar do próprio neto.

A acusação será conduzida pelo promotor de Justiça Antônio Vilas Boas, do Ministério Público de Alagoas (MPAL). O caso é considerado o "fechamento de um ciclo" de violência que aterrorizou comunidades periféricas de Maceió.

Execução sob o olhar do neto

O crime ocorreu nas primeiras horas da manhã de 3 de outubro de 2019. Segundo os autos, Genilda caminhava pelo "Beco do Zé Miguel" acompanhada do neto, de apenas 11 anos, a quem levava para a escola. A rotina foi interrompida por uma emboscada: a idosa foi surpreendida por Albino e atingida por múltiplos disparos de revólver.

Embora a criança tenha sido poupada fisicamente, presenciou toda a execução. A motivação alegada pelo réu em confissão — de que a idosa teria "simpatia" por facções criminosas devido à movimentação de usuários de drogas perto de sua casa — nunca foi comprovada. Pelo contrário, vizinhos e familiares descreveram Genilda como uma mulher pacífica e dedicada à família.

Rastro de condenações e o padrão criminoso

A investigação que selou o destino de Albino ganhou força em 2024, quando perícias no celular do réu encontraram fotos de Genilda, confirmando que ela era um alvo monitorado. O modus operandi — disparos à queima-roupa e emboscadas em via pública — repetiu-se em todos os casos pelos quais ele já foi condenado ao longo de 2025.

O réu chega a este último julgamento com uma pesada carga penal acumulada em menos de um ano:

Abril de 2025: Iniciou sua trajetória nos tribunais com uma sentença de 37 anos pela morte do barbeiro Emerson Wagner da Silva e uma tentativa de homicídio.

Junho de 2025: Recebeu 24 anos e seis meses pela morte da mulher trans Louise Gbyson Vieira de Melo.

Julho de 2025: Outros 24 anos e seis meses de reclusão foram somados pela morte da adolescente Ana Clara Lima Santos.

Setembro de 2025: Foi condenado a 14 anos e sete meses pela tentativa de homicídio contra Alan Vitor dos Santos Soares.

Outubro de 2025: A mais recente condenação impôs 27 anos e um mês pela morte de Tâmara Vanessa dos Santos e ferimentos causados a outras duas pessoas.

Com a realização deste sexto júri, a expectativa da Justiça é encerrar o capítulo judicial de Albino Santos de Lima, consolidando uma das maiores somas de penas aplicadas a um único réu em série no estado de Alagoas.