IMPACTOS ECONÔMICOS GLOBAIS

Crise no Oriente Médio ameaça inflação global e estabilidade econômica

Conflito entre EUA, Israel e Irã eleva riscos para o mercado de energia e pode desencadear recessão mundial, segundo análise do The New York Times.

Por Por Sputinik Brasil Publicado em 03/03/2026 às 10:50
Conflito entre EUA, Israel e Irã eleva riscos de inflação global e ameaça estabilidade econômica mundial. © AP Photo / Exército do Irã / Handout

Os recentes ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, somados às retaliações de Teerã, aumentaram significativamente os riscos para a economia global, segundo análise do jornal The New York Times.

O periódico destaca que uma escalada prolongada do conflito no Oriente Médio pode resultar em uma disparada nos preços da energia, alimentando a inflação em escala internacional.

"Qualquer evento que prolongue o conflito ou ameace as fontes de petróleo e gás provavelmente elevará os preços da energia a níveis capazes de gerar inflação. Tal cenário poderia levar os bancos centrais ao redor do mundo a elevar as taxas de juros, o que aumentaria os custos de hipotecas, empréstimos para compra de automóveis e outros tipos de empréstimos", ressalta a publicação.

De acordo com a reportagem, o aumento das taxas de juros tende a reduzir o consumo e desestimular investimentos empresariais, elevando o risco de recessão.

Nesse contexto, a principal preocupação recai sobre o futuro do abastecimento energético do Oriente Médio, responsável por 30% do petróleo e 17% do gás natural consumidos globalmente.

Qualquer interrupção nessas exportações pode causar sérias dificuldades aos principais importadores, especialmente no Leste Asiático e na Europa.

O artigo também ressalta a importância estratégica do estreito de Ormuz, via navegável que faz fronteira com o Irã e conecta o golfo Pérsico ao oceano Índico, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, principalmente com destino à Ásia.

Uma interrupção prolongada do tráfego na região, especialmente se houver danos a refinarias provocados por mísseis iranianos, poderia gerar choques energéticos de grande magnitude, superando os avanços recentes em energia limpa.

Ao mesmo tempo, o texto observa que os Estados Unidos, maior produtor de petróleo bruto e principal exportador de gás natural liquefeito, podem aparentar certa proteção diante dos choques no mercado global.

No entanto, ainda que empresas de energia norte-americanas possam se beneficiar de preços elevados e persistentes, consumidores dos EUA provavelmente enfrentarão aumento nos custos da gasolina, pressionando os preços em toda a economia.

Diante desse cenário, a reportagem sugere que o presidente dos EUA, Donald Trump, pode buscar uma solução rápida para o conflito, a fim de evitar que a alta dos preços da energia agrave o custo dos bens de consumo.

No sábado (28), Estados Unidos e Israel lançaram uma operação militar em larga escala contra o Irã. Autoridades em Tel Aviv afirmaram que o objetivo era impedir que Teerã obtivesse armas nucleares.

O presidente Trump anunciou a intenção de destruir a frota e a indústria de defesa iranianas, além de conclamar a população iraniana a derrubar o regime.

No domingo (1º) à noite, a televisão iraniana noticiou a morte do líder supremo Ali Khamenei. Familiares do aiatolá também teriam sido vítimas dos ataques.

Relatos da imprensa indicam que os mísseis atingiram não apenas instalações militares, mas também infraestruturas civis no Irã e em outros países da região. Em resposta, Teerã atacou o território israelense e bases norte-americanas no Oriente Médio.

A Rússia declarou que a operação de Washington e Tel Aviv não está relacionada à preservação do regime de não proliferação de armas nucleares, e pediu o retorno às negociações. O ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou está disposta a colaborar para solucionar a crise, inclusive no âmbito do Conselho de Segurança da ONU.