Tarifas elevaram inflação em até 0,75 ponto percentual, diz dirigente do Fed
Presidente do Fed de Nova York aponta tarifas como principal fator da inflação e prevê queda nos preços até o fim do ano
O presidente do Federal Reserve (Fed) de Nova York, John Williams, afirmou que as tarifas foram o principal fator por trás da recente dinâmica da inflação nos Estados Unidos e estimou que elas já adicionaram entre 0,5 e 0,75 ponto percentual à taxa atual, de cerca de 3%. Segundo Williams, as tarifas têm sido o grande foco ao longo do último ano e seus efeitos "aumentaram de forma significativa os preços de bens importados", sendo possível que o impacto total "ainda não tenha sido totalmente sentido".
Em discurso preparado para um evento, Williams avaliou que as tarifas interromperam o progresso rumo à meta de 2% definida pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), mas ponderou que não há sinais de efeitos secundários relevantes.
“Não há promessas de efeitos significativos de segunda ordem”, afirmou o presidente da distrital de Nova York, acrescentando que a inflação subjacente, excluindo bens importados, “tem se movido na direção correta”.
Williams espera algum repasse adicional às leituras de preços no primeiro semestre, mas projeta que a inflação "começará a cair mais para o fim do ano", à medida que o pico do efeito tarifário fique para trás.
Apesar disso, o dirigente ressaltou que a economia americana segue resiliente. “A economia dos EUA parece estar em uma boa posição”, declarou.
Ele projeta um crescimento do PIB real de cerca de 2,5% neste ano, apoiado por estímulos fiscais, condições financeiras desenvolvidas e investimentos robustos em inteligência artificial (IA).
No mercado de trabalho, Williams destacou que, nos últimos meses, surgiram “sinais promissores” de estabilização do emprego, embora reconheça que o quadro ainda é atípico, com baixas contratações e baixas demissões. Para ele, os riscos para o cumprimento do duplo mandato estão "em melhor equilíbrio" e a política monetária está "bem posicionada".
Williams não comentou as tendências atuais no Oriente Médio entre EUA, Israel e Irã.
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