MERCADOS INTERNACIONAIS

Bolsas europeias fecham em queda e ampliam perdas com incertezas no Oriente Médio

Tensões geopolíticas elevam aversão ao risco e pressionam índices acionários da Europa; expectativa por decisões dos bancos centrais aumenta volatilidade.

Publicado em 03/03/2026 às 13:43
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As bolsas europeias encerraram o pregão desta terça-feira, 3, em forte baixa, ampliando as perdas observadas na sessão anterior. O movimento reflete a cautela dos investidores diante do risco de prolongamento do conflito no Oriente Médio, cenário que eleva a aversão ao risco e impacta diretamente o apetite por ativos em mercados globais. A incerteza geopolítica também levou o mercado a revisar as expectativas para a trajetória dos juros do Banco Central Europeu (BCE).

Em Londres, o FTSE 100 recuou 3,04%, fechando em 10.452,50 pontos. O DAX, de Frankfurt, caiu 3,59%, a 23.753,02 pontos. O CAC 40, de Paris, perdeu 3,46%, a 8.103,84 pontos. Em Milão, o FTSE MIB registrou baixa de 3,92%, a 44.468,46 pontos. O Ibex 35, de Madri, cedeu 4,41%, a 17.087,40 pontos, enquanto o PSI 20, de Lisboa, caiu 4,24%, a 8.878,86 pontos. Esses números ainda são preliminares.

Nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que "é tarde demais" para o Irã buscar diálogo com Washington, apesar de alegar que houve tentativas de contato após recentes ofensivas. Trump também destacou que os elevados estoques de munições permitem aos EUA sustentar conflitos "para sempre".

Para o Swissquote Bank, a incerteza permanece elevada e a volatilidade segue como principal característica do momento.

O ambiente de aversão ao risco atingiu diversos setores, inclusive aqueles que haviam apresentado ganhos na segunda-feira, como energia e defesa. No índice Stoxx 600, os segmentos de energia e defesa recuaram 2,2% e 3,5%, respectivamente, enquanto o setor de recursos básicos despencou 4,1%, acompanhando a queda dos metais básicos e preciosos. O subíndice bancário registrou queda de 5,1%.

O presidente do Banco Central da Grécia, Yannis Stournaras, defendeu que o BCE mantenha flexibilidade na definição das taxas de juros diante dos desdobramentos no Oriente Médio. Já a ministra das Finanças do Reino Unido, Rachel Reeves, alertou que o cenário global está "ainda mais incerto", com previsão de crescimento britânico mais lento para 2026.

No mercado, estima-se uma probabilidade de 50% de o BCE elevar os juros em 0,25 ponto percentual ainda este ano. Já as apostas em um corte de juros pelo Banco da Inglaterra (BoE) caíram de 80% para 50%.