EDUCAÇÃO

Colaboração entre famílias e educadores é fundamental no combate à violência em ambiente escolar

Transmitir valores e regras com clareza, para que as crianças compreendam os limites e reconheçam os papéis de cada um, é responsabilidade de todos os envolvidos na educação

Por Way Comunicações Publicado em 03/03/2026 às 15:40

O aumento dos episódios de violência e bullying nas escolas tem preocupado famílias e educadores em todo o país. Relatos frequentes de agressões físicas, intimidação verbal e exclusão social evidenciam um cenário que exige atenção constante e respostas coordenadas. Mais do que números, o que se observa é um ambiente que precisa ser fortalecido por meio do diálogo, da escuta e da corresponsabilidade entre família e escola.

Para a psicopedagoga e escritora infantil Paula Furtado, são diversos fatores que contribuem para o aumento desse número, e que, geralmente, sempre há uma história de dor, negligência ou falta de pertencimento por trás de uma agressividade do aluno em relação a colegas ou professores. “Vivemos um tempo de grande desregulação emocional. As crianças e adolescentes chegam para estudar carregando ansiedades, frustrações e inseguranças que, muitas vezes, não encontram espaço de escuta ou acolhimento. O excesso de telas e o enfraquecimento do vínculo familiar contribuem para os comportamentos impulsivos e agressivos. A violência pode ser um pedido de ajuda”, revela a profissional.

Responsabilidades educativas

De acordo com Paula, um dos principais desafios na relação família-escola hoje é a divisão de responsabilidades. “Frequentemente, a instituição de ensino é cobrada por questões que pertencem ao âmbito familiar, enquanto parte dos responsáveis esperam que o estabelecimento educacional eduque emocionalmente seus filhos. A falta de tempo, de vínculo e de confiança dificulta a colaboração necessária para um desenvolvimento saudável”.

Apesar de complementares, os papéis são distintos; a escola educa para o convívio social e para o conhecimento, enquanto a família transmite valores essenciais para a vida, como respeito, empatia e responsabilidade. “Quando esses papéis se confundem, as crianças perdem referências claras e têm mais dificuldade de compreender regras e limites de convivência”, completa.

Ajuda profissional

Quando a agressividade deixa de ser pontual e começa a se manifestar de forma intensa e recorrente, prejudicando o aluno e seu grupo, ela se torna um sinal de alerta que exige atenção especializada. “Acompanhamento psicológico é fundamental para identificar as causas do comportamento e oferecer caminhos mais saudáveis de expressão e regulação emocional”, pontua Paula.

É igualmente importante zelar pelo bem-estar dos professores que, diante de pressões e do desgaste emocional, também podem apresentar condutas inadequadas. “O diálogo mediado pela coordenação e pela equipe pedagógica é sempre o melhor caminho para acolher e corrigir eventuais equívocos”, destaca a psicopedagoga.

Prevenir conflitos

Encontros mais frequentes e menos burocráticos permitem que as reuniões sejam além da simples identificação de problemas. São oportunidades onde todos podem ouvir e ser ouvidos, compartilhar estratégias e criar soluções para proteger o ambiente escolar da violência. É possível promover momentos de troca, reuniões temáticas, oficinas e palestras que envolvam os pais de forma ativa e afetiva. “Quando ambos reconhecem que compartilham o mesmo objetivo, que é o bem-estar da criança, o diálogo se torna mais produtivo”, frisa Paula.

Paula Furtado — Crédito: Pedro Cerqueira

Sobre Paula Furtado

Paula é pedagoga, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia (Facon-SP), Educação Especial, Arte de Contar Histórias e Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae e Leitura e Escrita, também pela PUC-SP. A profissional já atuou como assessora pedagógica em escolas públicas e particulares.

Paula Furtado atende crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado, incluindo casos complexos envolvendo traumas e situações de vulnerabilidade emocional. Nesta área da educação, a pedagoga ministra cursos para formação de educadores nas instituições de ensino público e particular e realiza palestras para pais sobre a importância de contar histórias.

Autora de mais de 100 livros infantojuvenis e criadora de jogos pedagógicos inovadores, Paula também escreve para revistas especializadas em educação e infância. A especialista em educação exerceu a função de coordenadora e supervisora psicopedagógica em diversas publicações infantis (Contos de fadas, Lendas e Folclore) com Girassol Brasil e MSP Estúdios.