Guerra no Oriente Médio força deslocamento de 30 mil pessoas no Líbano, diz ONU
Ações militares intensificam crise humanitária, com milhares buscando abrigo e travessias para a Síria aumentando.
Cerca de 30 mil pessoas foram deslocadas e acolhidas em abrigos coletivos no Líbano na última segunda-feira, 2, segundo informou a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, 3. "Muitas outras dormiam em seus carros, à beira das estradas ou estavam presas no trânsito nas vias que saíram do sul do país", disse Babar Baloch, porta-voz da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), em coletiva de imprensa.
O exército israelense cometeu ataques em diversas regiões do Líbano após o Hezbollah, principal força militar libanesa, lançar foguetes contra Israel na noite de domingo, 1º. A ofensiva foi uma resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Relatos de grandes deslocamentos se multiplicam no sul do Líbano, no Vale do Bekaa e nos subúrbios ao sul de Beirute, capital do país, após Israel emitir alertas de retirada para moradores de mais de 53 vilarejos, em meio a intensos bombardeios aéreos.
A ACNUR também informou um aumento nas travessias da fronteira entre Líbano e Síria, após as ordens de retirada israelenses. De acordo com autoridades sírias, cerca de 11 mil pessoas cruzaram a fronteira libanesa na segunda-feira, número bem acima da mídia diária.
O Irã, principal opositor de Israel no conflito, abriga atualmente 1,65 milhão de refugiados e pessoas que especialmente de proteção internacional. Apesar dos desafios logísticos, o ACNUR segue prestando assistência e apoio a esses grupos vulneráveis.
Mesmo antes do atual conflito, os refugiados no Irã já enfrentaram dificuldades devido à grave crise econômica do país. A alta inflação e o aumento do custo de vida minaram as rendas já frágeis, enquanto o acesso limitado ao emprego agravou a situação de vulnerabilidade.
As equipes humanitárias estão distribuindo itens essenciais de socorro às famílias deslocadas que chegam aos abrigos oficiais designados pelo governo em todo o Líbano, segundo informou a ACNUR.