Brasil desacelera; mercado acompanha Payroll e petróleo, aponta DPEc do Banco Daycoval
Para o CAGED, projetamos saldo de 90 mil vagas formais, mantendo a geração abaixo do patamar de 100 mil e reforçando um mercado formal em ritmo mais moderado. Já a PNAD deve mostrar estabilidade da taxa de desemprego em 5,4%. Quanto aos dados do crescimento econômico, nossa expectativa é que o PIB tenha crescido 2,2% em 2025 com estabilidade no 4° tri (0,0%). Este resultado deve confirmar desaceleração gradual da atividade econômica. Além disso, será divulgada a produção industrial de janeiro e a expectativa é de alta de 0,90%. Do lado da inflação, o destaque são os dados de IGP-DI de fevereiro e nossa expectativa é de queda de -0,60%.
No cenário internacional, os destaques da semana serão a divulgação dos dados de mercado de trabalho referentes a fevereiro nos EUA e as repercussões do conflito no Oriente Médio. Após a intervenção militar dos EUA e Israel no Irã, as atenções se voltam para a região, em especial os impactos sobre os preços do petróleo. Quanto ao mercado de trabalho, o ADP deve mostrar criação de 43 mil vagas no setor privado em fevereiro. Já o Payroll, deve apresentar criação de 60 mil vagas em fevereiro, mantendo-se em patamar baixo. A taxa de desemprego deve ficar estável em 4,3%. Além disso, outros indicadores de atividade completam a semana: vendas do varejo e ISM da Indústria e dos Serviços.
Brasil - Inflação: IPCA
• A projeção de inflação atualizada para este ano é de 3,8%.
• No curto prazo, nossas projeções atualizadas para fevereiro, março e abril são 0,70%, 0,26% e 0,33% respectivamente.
• O IPCA-15 de fevereiro registrou alta de 0,84%, com resultado acima da nossa projeção (0,56%) devido à forte surpresa altista em passagens aéreas. No acumulado, a inflação atingiu 4,10%.
• Apesar do resultado pior do que o esperado, nossa projeção atualizada para a inflação ao final deste ano se mantém em 3,8%. Além disso, como esperávamos, o Banco Central iniciará o ciclo de corte de juros em março. Por ora, nossa expectativa é de que a redução seja de 0,25 p.p..
• Como esperado, o destaque foi a forte alta do grupo de serviços em função dos reajustes anuais em educação. As passagens aéreas em direção contrária ao imaginado tiveram forte alta e contribuíram para elevar a pressão no grupo.
• O núcleo da inflação de serviços (serviços subjacentes) teve alta importante e acima do esperado. Além disso, os intensivos em trabalho seguem sendo um desafio relevante para o Banco Central.
• Já os bens industriais tiveram alta moderada, deixando para trás o aumento expressivo nos preços do etanol. Além disso, a deflação em vestuário foi menor do que a esperada.
• Já a alimentação no domicílio, embora no terreno positivo, registrou alta menor do que o antecipado. Itens in natura e leite foram os destaques baixistas.
• Os preços administrados refletiram a alta mais forte na gasolina, enquanto a deflação em energia elétrica atenua o grupo.
• IGP-M: O indicador apresentou leve surpresa baixista com deflação (-0,73%) acima do esperado pelo mercado (-0,6%). Tanto o IPA agro quanto o IPA industrial permaneceram no terreno deflacionário (-2,95% e -0,58%, respectivamente). Já o IPC, teve alta de 0,30% e o INCC alta de 0,34%.
• ANEEL: a agência de energia elétrica manteve a bandeira tarifária no patamar verde para março, ou seja, sem cobrança adicional. Este resultado veio em linha com o esperado e não altera projeção.
Brasil - Taxa de Juros: SELIC
• Inflação FOCUS: As medianas das expectativas de inflação no Focus para 2026 registraram estabilidade 3,91%. Para 2027 houve leve arrefecimento de 3,80% para 3,79%. Para os demais anos não houve alteração em relação a semana passada, a saber: 2028 (3,50%) e 2029 (3,50%).
• SELIC FOCUS: A mediana das expectativas para a Selic em 2026 registrou leve queda passando de 12,13% para 12,00%.. Para 2027 a taxa permaneceu inalterada em 10,50%.
Brasil – Atividade Econômica
• Sondagens: Com exceção das indústria, todos os demais setores tiveram queda da confiança em fevereiro. A sondagem industrial teve alta em relação ao mês anterior (96,7 pontos ante 96,1). A confiança do comércio teve novo arrefecimento, passando de 91, 3 para 87,3 pontos. Na construção a queda foi de 94 para 91,5 pontos e nos Serviços de 90,9 para 90,2 pontos. As expectativas dos consumidores também tiveram queda em fevereiro (87,3 para 86,1 pontos).
• Contas externas: O déficit em conta corrente em US$ 8,4 bilhões veio pior do que o esperado (US$ 6,6 bilhões) em função de maior saída de lucros e dividendos. A balança comercial apresentou sado de US$3,5 bilhões em janeiro. As exportações de bens totalizaram US$25,3 bilhões e as importações de bens, US$21,8 bilhões.
• Crédito: De acordo com o Banco Central“Em janeiro, o saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$20,8 trilhões (162,6% do PIB), com ligeira queda no mês, -0,3%, devido principalmente à redução dos saldos dos empréstimos externos, -3,4%, impactados pela apreciação cambial de 4,95%. Na comparação interanual, o crédito ampliado cresceu 12,6%, prevalecendo as elevações da carteira de empréstimos do SFN, 9,9%, e dos títulos públicos de dívida, 19,1%. ”
• Fiscal: De acordo com o Banco Central“O resultado primário do setor público consolidado foi superavitário em R$103,7 bilhões em janeiro de 2026, ante superávit de R$104,1 bilhões no mesmo mês de 2025. No mês, o Governo Central e os governos regionais registraram superávits respectivos de R$87,3 bilhões e de R$21,3 bilhões, e as empresas estatais, déficit de R$4,9 bilhões.
Cenário Externo
• Conflito no Oriente Médio: Na semana passada EUA, Israel e Irã entraram em conflito e as tensões na região elevaram-se. As incertezas devem permanecer em patamares elevados com atenção especial sobre os preços de petróleo.
• PPI: A inflação ao produtor em dezembro com altas de 0,30% tanto no índice cheio, quanto no núcleo veio em linha com o esperado.
• Sondagem industrial (Dallas): O indicador de atividade industrial subiu para 3,1 pontos em fevereiro ante 2,9 no mês anterior. Já do lado dos preços, houve redução dos preços pagos. NO que tange as condições esperadas para os próximos 6 meses, também houve melhora. Entretanto, as expectativas para os preços subiram.
• Sondagem industrial (Richmond): O indicador de atividade industrial caiu para -10 pontos em fevereiro ante -6 no mês anterior. Além disso, houve elevação dos preços pagos.
• Sondagem industrial (Kansas): O indicador de atividade industrial de Kansas teve comportamento similar ao de Dallas. Houve elevação das condições correntes (5 pontos ante 0 em janeiro) com queda dos preços pagos. Do mesmo modo, as expectativas futuram elevaram-se, mas foram acompanhadas de alta dos preços pagos.