Haddad diz ser prematuro falar em reversão do ciclo de cortes da Selic devido ao Irã
Ministro da Fazenda afirma que conflito no Oriente Médio é acompanhado, mas decisão sobre juros depende de cenários ainda incertos.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (3) que ainda é cedo para especular sobre uma possível reversão no ciclo de cortes da Selic em razão do conflito no Irã. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Alô, Alô Brasil , apresentada pelo jornalista José Luiz Datena, na Rádio Nacional.
Haddad destacou que cabe ao Banco Central calibrar especificamente a política de juros para fortalecer a inflação. Segundo ele, uma dose maior ou menor do que o necessário pode prejudicar a economia. “A gente não sabe como esse conflito vai se desenrolar, como as coisas vão acontecer, mas é muito cedo para falar em reversão do que está mais ou menos contratado, que é um ciclo de cortes”, afirmou o ministro.
O titular da Fazenda ressaltou que a equipe econômica trabalha na elaboração de diferentes cenários para avaliar os possíveis impactos da guerra no Oriente Médio sobre o Brasil. "O que cabe a nós é justamente nos preparar para qualquer cenário, como fizemos em outras situações, seja no tarifaço de Trump ou diante de eventos climáticos severos. A equipe econômica sempre procura montar cenários e se preparar para qualquer um deles", explicou.
Haddad também relatou as tendências recentes no Irã e na Venezuela à disputa pelo petróleo e ao temor dos Estados Unidos diante do crescimento da China. Ele ainda apresenta danos internos do ex-presidente Donald Trump relacionados à sua imagem pública. "É muito preocupante o que está acontecendo no mundo e na China asssustou demais os Estados Unidos. Todas essas movimentações têm muito a ver com a China. Tanto na Venezuela quanto no Irã, a questão central é o petróleo e a dependência chinesa da importação de 11 a 12 milhões de bairros por dia", concluiu.