Abimaq alerta para riscos da guerra no Irã sobre exportações e abastecimento
Entidade teme impacto em insumos, rotas marítimas e investimentos no setor agrícola brasileiro
A direção da Abimaq, entidade que representa a indústria de máquinas e equipamentos, se manifestou nesta terça-feira (3) preocupada com os possíveis efeitos de um prolongamento do conflito no Irã, tanto nos mercados internacionais quanto nos investimentos em bens de capital no Brasil, especialmente no setor agrícola.
Mais do que o aumento nos custos de insumos e do frete, a maior preocupação recai sobre o transporte de cargas que passam pelo Estreito de Ormuz. O presidente da câmara setorial de máquinas e implementos agrícolas da Abimaq, Pedro Bastos, explicou que elevações de custos podem ser compensadas pelo aumento nos preços dos produtos exportados pelos produtores agrícolas.
No entanto, obstruções de rotas marítimas em função da guerra podem causar impacto substancial no abastecimento de insumos como fertilizantes e diesel, além de dificultar as vendas externas de produtos agrícolas. Esse cenário, consequentemente, prejudicaria os investimentos em máquinas e equipamentos usados nas máquinas.
“Se houver desabastecimento, fica muito difícil”, afirmou Bastos durante a apresentação do balanço do setor de máquinas em janeiro.
Ele acrescentou que, além do impacto na produtividade causado pela falta de insumos no campo, interrupções de rotas logísticas aumentam a incerteza para exportadores. Bastos citou carne e milho entre os produtos que podem ter as vendas ao Oriente Médio afetado.
“Se tivermos uma guerra prolongada, o agricultor terá problemas nas duas pontas, tanto no insumo quanto na venda”, destacou Bastos.
Ainda que as vendas de máquinas e equipamentos aos Estados Unidos tenham crescido 27,3% em janeiro — sinalizando um fato antes do fim das sobretaxas —, a Abimaq recomenda cautela quanto ao desempenho das exportações.
Além da possibilidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotar novas bases legais para sobretaxar produtos brasileiros, Cristina Zanella, diretora de economia da associação, observou que a guerra no Oriente Médio pode desestabilizar todo o mercado internacional.
Ela ressaltou que a perspectiva de recuperação das vendas perdidas no mercado americano tornou-se mais incerta. “Teremos que esperar e ver como as coisas vão se revelar nos próximos meses para rever os números que temos estimados”, afirmou Zanella.