ECONOMIA GLOBAL

Bradesco aponta impacto no PIB brasileiro caso petróleo suba a US$ 80 por barril

Relatório do banco estima efeito negativo de 0,2 ponto percentual no crescimento do Brasil, mas destaca benefícios para balança comercial.

Publicado em 03/03/2026 às 17:49
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Bradesco analisou os possíveis impactos da alta dos preços do petróleo para o Brasil, diante da escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Antes do início da tensão, o contrato Brent estava em torno de US$ 60 por barril, mas nesta terça-feira, 3, já ultrapassou US$ 80, refletindo o aumento do risco geopolítico.

De acordo com relatório enviado a clientes, caso o petróleo permaneça em US$ 80 por barril, o Produto Interno Bruto (PIB) global pode sofrer retração de até 0,4 ponto percentual (pp), enquanto o impacto para o crescimento doméstico brasileiro seria negativo em 0,2 pp.

Em relação ao resultado primário, o Bradesco projeta alta de 0,3 pp, considerando o dólar a R$ 5,30 e o barril a US$ 80. Isso ocorre porque o preço da commodity influencia significativamente as receitas do governo. "Os impactos imediatos são dados pelos dividendos da Petrobras, impostos sobre combustíveis e royalties de petróleo. Além destes, há propagação adicional via imposto de renda de empresas ligadas ao setor", destaca o relatório de empresas ligadas.

O efeito sobre as contas externas, por meio da balança comercial, não é linear. O banco explica que, embora os preços de importação e exportação estejam fortemente relacionados ao preço internacional, a quantidade comercializada pode variar de acordo com o valor do barril. “O preço de US$ 80 por barril leva a um incremento de US$ 11 bilhões na balança comercial e melhora o déficit em conta corrente em 0,4 pp do PIB”, calcula o Bradesco.

Além disso, a balança comercial e a conta corrente brasileira tendem a se beneficiar com a alta do petróleo, o que pode favorecer o real frente a outras moedas emergentes, especialmente se o cenário de risco geopolítico se prolongar.

No que diz respeito aos juros, o banco avalia que, em situações como essa, a política monetária não deve responder imediatamente a choques primários. "A autoridade monetária busca combater os efeitos secundários desse choque. O relatório de inflação no Brasil deve se aproximar da meta nos próximos meses, apesar de alguma desancoragem das expectativas de longo prazo, e a banda do regime de metas serve justamente para acomodação de choques como esse", conclui o.