DEBATE TRABALHISTA

Entidades empresariais pedem adiamento da votação sobre o fim da escala 6x1 para após as eleições

Setores produtivos temem que proximidade do pleito eleitoral comprometa debate sobre jornada de trabalho e defendem discussão aprofundada

Publicado em 03/03/2026 às 18:02
Reprodução / Agência Brasil

Entidades empresariais defendem o adiamento do debate e da votação do projeto que propõe a redução da jornada de trabalho, conhecido como fim da escala 6x1. O principal receio é que a proximidade das eleições influencie o posicionamento dos parlamentares, levando à aprovação do tema sem a devida análise.

Segundo a presidente do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), Tania Zanella, o objetivo é garantir uma discussão estruturada e sustentável. "Queremos uma discussão sustentável e estruturada. A intenção é trazer unicidade à discussão. Estamos juntos para amadurecer e buscar espaço e alternativas com racionalidade", afirmou Zanella ao entregar um manifesto assinado por 93 entidades empresariais em defesa da modernização da jornada de trabalho.

A preocupação foi reforçada por representantes de diversos setores, como agronegócio, transportes, comércio e indústria, durante reunião da Coalizão das Frentes Parlamentares do Setor Produtivo. Dyogo Oliveira, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), destacou: "Há uma enorme preocupação com este ano. (Temos que) trabalhar para que isso não entre em votação, porque se entrar em votação não tem como segurar. Agora é trabalho de bastidor com líderes partidários e presidente da Câmara dos Deputados para que isso não entre em pauta".

Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), manifestou receio de que o tema seja polarizado entre capital e trabalho. "Não queremos transferir ônus da decisão para parlamentares e cobrar responsabilidade do Congresso Nacional. Entendemos a delicadeza de ser ano eleitoral, mas queremos construir caminhos juntos para que a discussão seja transparente e efetiva e não à luz de ano eleitoral, de forma construtiva e que não traga ônus ao processo eleitoral", afirmou Alban.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) sugeriu aos parlamentares que o debate seja prorrogado para 2027, permitindo uma análise mais detalhada dos impactos antes da votação.

As entidades também defendem a manutenção da livre negociação da escala 6x1 por meio de acordos coletivos e maior flexibilização entre as partes. Luiz Carlos Bohn, vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), afirmou que a entidade apoia a manutenção da jornada de 44 horas semanais, com possibilidade de compensação ou redução por acordo coletivo. "Modelos rígidos uniformes desconsideram a realidade e podem aumentar custos e afetar as empresas. A equação econômica é objetiva: se as horas diminuem e o salário é mantido, o custo aumenta", pontuou Bohn.

Outro ponto de consenso é a necessidade de respeitar as particularidades de cada setor, com a negociação coletiva sendo considerada o instrumento mais adequado para tratar das especificidades.

O manifesto foi entregue ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por representantes das confederações nacionais da Indústria (CNI), Agricultura e Pecuária (CNA), Comércio (CNC) e Transporte (CNT) na tarde desta terça-feira.