JUSTIÇA E FINANÇAS

BRB solicita ao STF liberação de recursos de carteiras do Banco Master

Banco de Brasília pede desbloqueio de valores paralisados após liquidação do Master; decisão do STF aguarda manifestação do liquidante.

Publicado em 03/03/2026 às 19:39
Reprodução / Agência Brasil

O Banco de Brasília (BRB) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para liberar recursos das carteiras do Banco Master, que foram cedidas à instituição. Os repasses estão suspensos desde a liquidação extrajudicial do Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025.

A iniciativa foi anunciada pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, a jornalistas na noite de segunda-feira, 2, após uma reunião de cerca de 11 horas na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O encontro tratou do plano de socorro ao banco, em discussão com deputados distritais.

O Estadão/Broadcast apurou que o relator do caso, ministro André Mendonça, concedeu prazo de 48 horas para manifestação do liquidante do banco. A decisão foi proferida nesta terça-feira, 3.

O liquidante do Master, Eduardo Felix Bianchini, da EFB Regimes Especiais de Empresas, encontra-se temporariamente afastado por motivos de saúde. Até 6 de março, Sebastião Marcio Monteiro responde pelo cargo.

Em trecho da petição obtida pela reportagem, o BRB solicita que a Corte determine aos liquidantes que "se abstenham de reter os fluxos financeiros", com "imediato redirecionamento dos recursos ao legítimo titular". O banco também pediu a concessão de tutela provisória de urgência.

A Polícia Federal investiga a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas do Banco Master ao BRB, além da tentativa de aquisição do Master pelo banco estatal — operação barrada pelo Banco Central. Esses ativos considerados "podres" foram trocados por outros papéis do Master, com garantias adicionais ao BRB, mas persistem dúvidas quanto ao real valor desses títulos.

Após as perdas com o Master, o BRB solicitou um aporte de até R$ 8,86 bilhões para reforço de capital. O governo do Distrito Federal, controlador e principal acionista do banco, encaminhou à Câmara Legislativa um projeto que pede autorização para o aporte, em análise pelos deputados distritais nesta terça-feira, 3.

A proposta autoriza o governo Ibaneis Rocha (MDB) a obter empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e outras instituições financeiras, oferecendo nove imóveis públicos como garantia.