TRABALHO E ECONOMIA

CNSaúde pede responsabilidade econômica em debate sobre fim da escala 6x1

Presidente da Confederação Nacional de Saúde alerta para impactos econômicos e defende negociação coletiva na discussão sobre jornada de trabalho.

Publicado em 03/03/2026 às 20:31
O presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Breno Monteiro Reprodução / Instagram

O presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Breno Monteiro, manifestou-se contrário à redução da jornada de trabalho durante a abertura da 2ª Conferência Nacional do Trabalho.

“É natural que a sociedade busque melhores condições de vida para os seus trabalhadores. O setor empresarial reconhece esse objetivo, mas é nosso dever alertar que mudanças estruturais dessa magnitude exigem uma prévia análise técnica”, afirmou Monteiro durante a cerimônia, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Monteiro considerou legítima a discussão sobre a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, assim como o fim da escala 6x1. No entanto, ressaltou que o debate deve envolver todos os segmentos econômicos e ser conduzido com responsabilidade econômica e respeito às realidades setoriais e regionais.

“O debate não é apenas sobre reduzir horas, é sobre retirar flexibilidade da organização no tempo de trabalho. E essa distinção é fundamental. Setores que operam de forma contínua, como a indústria, o comércio, a logística e, especialmente, a saúde, dependem de escalas flexíveis para garantir o funcionamento”, declarou o presidente da CNSaúde.

Segundo Monteiro, uma mudança abrupta no modelo 6x1 no setor de saúde exigiria contratações imediatas em um cenário já marcado pela escassez de profissionais, o que levaria a um aumento significativo dos custos operacionais, pressão sobre contratos públicos e privados, além de possíveis reajustes nos planos de saúde.

Ele defendeu que a negociação coletiva seja o caminho prioritário para ajustes na jornada e na escala de trabalho. “A nossa Constituição cidadã de 1988 consagrou a valorização da negociação coletiva e o diálogo entre empresas e trabalhadores, considerando as especificidades de cada setor e de cada região”, destacou Monteiro, que foi vaiado em diversos momentos de sua fala.