Haddad diz que políticas equivocadas dificultaram o Brasil e que recuperação exige ambiente político
Ministro da Fazenda destaca desafios e defende engajamento popular em debates sobre jornada de trabalho durante abertura da 2ª Conferência Nacional do Trabalho, em São Paulo.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu o governo federal nesta terça-feira (3), durante a sessão solene de abertura da 2ª Conferência Nacional do Trabalho (CNT), realizada em São Paulo. Na ocasião, Haddad afirmou que o Brasil enfrentou dificuldades em razão de “políticas públicas equivocadas” e ressaltou que a recuperação econômica depende da construção de um ambiente político favorável.
Ao abordar o fim da escala 6x1, uma das pautas eleitorais do governo, Haddad destacou a importância do engajamento da população no debate sobre o tempo de trabalho. Segundo ele, o processo está sendo conduzido “a duras penas” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, em diálogo constante com o Congresso Nacional e o Judiciário.
“É óbvio que há muita tarefa a ser feita. Nenhum de nós aqui, se perguntado, vai dizer que está tudo arrumado, céu de brigadeiro. Não é verdade”, afirmou Haddad. “Sabemos que foi muito difícil, que o Brasil, sob vários aspectos, sofreu com políticas públicas equivocadas. Sabemos que essa recuperação é complexa.”
O ministro voltou a defender o envolvimento da sociedade no debate sobre o fim da escala 6x1, proposta atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados. Para Haddad, a população pode “viver melhor” ao refletir sobre a forma como utiliza o tempo dedicado ao trabalho.
“Precisamos olhar para o desenvolvimento dos países que superaram o subdesenvolvimento, que já estão em outro patamar de renda per capita, e nos inspirar nesses exemplos para perguntar: o que vou fazer com minhas 40 horas semanais?”, questionou o ministro. “Não basta apenas limitar a jornada de trabalho e remunerar bem o trabalhador, mas também pensar em como utilizar o tempo disponível para o trabalho.”
Haddad ressaltou ainda que o governo entregou a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil e que a desigualdade atingiu o menor nível já registrado pelo índice de Gini.
O evento contou também com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e dos ministros Simone Tebet (Planejamento), Márcio França (Empreendedorismo) e Luiz Marinho (Trabalho).