DIREITOS TRABALHISTAS

Lula propõe acordo entre trabalhadores e empresários para revisar escala 6x1

Presidente defende diálogo para adaptar jornada de trabalho às necessidades de cada categoria

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 03/03/2026 às 23:13
Lula defende diálogo entre trabalhadores e empresários para revisão da escala 6x1 durante evento em São Paulo. © Sputnik Brasil / Guilherme Correia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta terça-feira (3) a construção de um acordo entre trabalhadores, empresários e governo para discutir o fim da escala de trabalho 6 por 1 no país. Segundo Lula, a regulamentação da jornada deve levar em conta as especificidades de cada categoria.

As declarações ocorreram durante a II Conferência Nacional do Trabalho, realizada em São Paulo (SP). “Não contribuiremos para prejudicar os trabalhadores e também não queremos contribuir para o prejuízo da economia brasileira (...) Pode ter até regra geral, mas na hora de regulamentações vai ter que cair na especificidade de cada categoria”, afirmou o presidente.

Lula ressaltou que o governo busca formular propostas que atendam aos diferentes setores envolvidos.

“Estamos tentando construir um conjunto de propostas que interesse aos empresários e trabalhadores para dar mais comodidade nesse mundo nervoso para que as pessoas tenham mais tempo de estudar, ficar com a família, descansar”, declarou.

A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas tornou-se uma das principais bandeiras econômicas de Lula em sua busca pela reeleição neste ano. No entanto, a proposta enfrenta a resistência do setor produtivo, que argumenta que a medida pode elevar custos e pressionar preços ao consumidor.

Na semana passada, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Paulo Skaf, afirmou que o tema não deve ser debatido em ano eleitoral.

Lula esteve acompanhado no evento pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento) e Luiz Marinho (Trabalho).

Simone Tebet defendeu o fim da escala 6 por 1 e afirmou que "dizer que o Brasil vai quebrar com o fim da escala 6x1 é não conhecer a realidade do Brasil".

Fernando Haddad destacou que o debate exige o engajamento da sociedade, enquanto Luiz Marinho destacou possíveis impactos sobre custos empresariais, mas defendeu ganhos de produtividade.

“Temos que apostar, portanto, na produtividade. Precisamos de ganho de produtividade que vem com investimento e tecnologia, conhecimento e o prazer do trabalho”, enfatizou Marinho.

Mais cedo, o ministro afirmou que o governo pode enviar um projeto de lei com urgência ao Congresso Nacional sobre o fim da jornada 6 por 1 caso avalie que o tema não avança na "velocidade desejada".